sobre viajar sozinha

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A pergunta inevitável quando falo da minha viagem é “nossa, mas você vai SOZINHA!?”. Nove vezes de dez, o comentário seguinte também é “Que coragem!” e a minha é “Veremos, né?!”

trilhos

Queria eu poder dizer que sou essa mulher segura e independente que desbrava o mundo num boa só na sua própria companhia. E uma das grandes inspirações dessa viagem é praticar justamente isso. Mas daí a afirmar que estou tirando essa situação toda de letra são outros quinhentos. Ninguém, sobretudo eu mesma, garante que eu não vou desistir de tudo e voltar correndo para o colo da minha mãe em uma semana…

Mas não dizem sempre por aí que se a gente não se gosta, ninguém vai gostar? Ou que não tem companhia melhor do que você mesma? Bem, conto para vocês quando sentir isso de verdade. Porque, juro, tenho grande admiração por quem, homem ou mulher, consegue sentar para tomar um chope sozinho e se divertir com isso! Imagina que libertador?

Já fiz viagens curtas sozinha e já tive viagens em que minhas companhias só me encontravam de vez em quando – e foi tudo ótimo! E todo solo traveler garante que você se acostuma rapidinho. Aliás, não ouvi até agora alguém encarar uma viagem solo e se arrepender.

Então: mundo, você me intimida… só que não!!

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Posted by Nhatinha on May 12th, 2012 | No Comments »

ticket to ride

Brasil , , ,

Para partir mundo afora, comprei uma passagem que se chama Round the World ticket (“Tarifa de Volta ao Mundo”).



A passagem tem um monte de regrinhas, mas um custo benefício valioso para quem vai percorrer vários trechos longos seguidos e sem ser ida e volta. A Livia, do eusouatoa.com, explica tudo detalhadinho no post dela sobre a RTW.

Resumindo muito, você tem que viajar por um mínimo de 3 meses e o máximo de 1 ano, sempre no mesmo sentido do globo (eu vou do oeste para o leste) e com um número grande de escalas possíveis (mínimo de 5, máximo de 16).

A maior vantagem depois do preço é poder mudar de datas quantas vezes você quiser sem custos. Multa, só se você mudar de destino. A grande desvantagem é que isso engessa bem uma viagem que, tipicamente, tem a intenção de ser a mais despretensiosa possível: você não pode mudar de rumo de repente e as paradas que escolheu viram obrigatórias. Também não se pode sair e voltar de um continente ou prolongar escalas para aproveitar uma cidade (nesse caso, a cidade vira mais um destino e conta como tal). Quer dizer, precisa existir um mínimo de planejamento para a compra.

E nada de dividir em 99 mil vezes sem juros: o negócio é de uma tacada só. No meu caso, já era o preferível: o orçamento que tenho está fechadinho – quando acabar a grana, acabou! Pelo menos ter a passagem de volta para casa garantida deixa os corações do pai e da mãe um pouco mais calmos. :o)

As coisas variam um pouco de acordo com a companhia que você escolher – no meu caso, foi a Star Alliance – mas as regras gerais são essas.

Brincar de escolher destinos na ferramenta da Star Alliance foi uma das coisas mais divertidas dessa fase de planejamento, experimentem! Ah, e se você gostou da ideia, além do blog da Lívia, tem explicações mais esmiuçadas no Wikitravel.

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Posted by Nhatinha on May 7th, 2012 | 1 Comment »

vai pra onde?

Brasil , , ,


Ver mapa ampliado

Mini legenda:
– escalas da passagem RTW (mais aqui)
– vou me virar, mas chego neles!


Comecei a pensar nessa viagem quando tive que voltar ao Brasil ano passado, mas a ideia era fazê-la depois de um tempo em terras paulistanas e num período mais prolongado. Por isso, o roteiro que acabei fechando sacrificou alguns destinos óbvios, quase obrigatórios, e espremeu outros num intervalo muito menor do que eu gostaria de ficar. Não vou à Índia, por exemplo, e vou pular a África praticamente por completo. Também não vou parar em nenhum ponto da América Latina, coisa que quero deixar para um mochilão à parte. Outros países, como a China e o Canadá, dependem de vistos – mas, otimista que estou, marquei-os de amarelinho no mapa.

Quinhentos milhões de outros destinos ficaram de fora, óbvio, mas o dinheiro está contado e a gente enlouquece mas nem tanto, né? Meus critérios foram: lugares que sempre quis conhecer (Egito, Nova Zelândia e China); lugares que me garantiram que são imperdíveis (Turquia, Tailândia, Laos e Camboja) e lugares onde amigos queridos me receberão (Portugal, Austrália e Canadá).

Então é isso. Faltam 35 dias para eu embarcar e, até lá, conto tudo sobre os infinitos preparativos – e sobre o frio na barriga que não para de crescer, socorro!

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Posted by Nhatinha on May 6th, 2012 | No Comments »

a melhor crise existencial do mundo

Brasil , ,



É isso. Vou dar a minha volta ao mundo.

Os últimos seis meses foram intensos. Comecei a achar que não gosto de montanha-russa porque minha vida já dá guinadas suficientes para uma cabeça só!

E o universo deu o recado: é hora de dar uma parada. É como se o tempo inteiro eu tivesse querendo seguir em frente e alguém estivesse me sussurrando – calma, menina, a vida é para ser descoberta, não resolvida.

Seguindo o clichê, vou viajar. Vou sair pelo mundo – vou ver o novo para rever o velho. Vou para fora para poder olhar para dentro.

No melhor estilo crise existencial: à beira dos 30 e sozinha.

Quero ir para lugares que sempre sonhei em conhecer – quero me encantar, me decepcionar, me achar e me perder.

Tive todos os momentos de dúvida, óbvio. Ouvi tudo de bom e de ruim do que tinham para me falar. Já fui dormir uma criança irresponsável e acordei me sentindo completamente livre. Já hesitei em ir sozinha, em entregar mais ainda da minha vida ao acaso – já hesitei.

Mas é isso. É agora.



Os lugares para onde vou tem significados diferentes e muito pessoais: uns, bem bobos, sonhos infantis; outros, mais profundos, sonhos de adulto perdido.

Não que vá me achar, vejam bem. Vou só explorar: mudar a tática de viver – olhar um pouco para como os outros fazem, lidam e sonham para conseguir me ver melhor. Aliás, tenho quase certeza que vou voltar mais perdida do que estou.

Mas viagens costumam servir como catalisadores de insights – fazem o que está ruim ser descartado de vez e o que está bom ser valorizado. Se uma coisa ficou clara para mim com isso tudo é que, quanto mais perdido se está, mais certeza temos do que queremos para nós mesmos. Paradoxal, é verdade. Mas e a vida não é?

Então, vou me perder na vida. Mas me acho aqui, contando tudo na casinha mais fixa dos meus últimos anos.

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Posted by Nhatinha on April 27th, 2012 | 1 Comment »

i’d like

Brasil

Porque poucas coisas são piores que saudades numa sexta-feira à noite.

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Posted by Nhatinha on March 3rd, 2012 | No Comments »

o vício de mudar

Brasil



Mudar não é fácil. Seja de casa, seja de cabeça. Mas, desde cedo, me vi – me conheci – como uma pessoa fissurada em mudança.

Esquece que meus pais me levaram muito cedo para conhecer um novo mundo; esquece que a diversidade que o próprio Brasil me apresentou sempre foi muito sedutora: o fato é que nunca parei quieta.



Passei a compreender que a mudança vem quer a gente queira, quer não. Que não é preciso mudar de cidade, de casa ou de emprego para mudar por dentro. Passei a viver a delícia de mudar radicalmente de vida simplesmente por ter chegado à conclusão que poderia ser mais feliz de outro jeito. Passei a sobreviver a mudanças que vieram sem eu sequer suspeitar e muito menos estar preparada.

Mesmo com tudo isso, desapego é algo que tenho dificuldade de praticar. Deixar algo para trás, seja o que for, é sempre mais intenso do que você prevê. Por melhor que seja – e costuma ser muito bom – mudar é sempre uma aventura emocional.

E pode demorar.



Com um mês de Maputo, estava muito mais bem adaptada do que com um mês de São Paulo – uma cidade que meus amigos são unânimes de falar que é a minha cara. Culpa do desapego!

Não cabe em mim, até hoje, a dor de saber que vou perder a convivência com certas pessoas. Não suporto em pensar que não terei previsão de abraçar esse ou aquele amigo querido. Às vezes, um simples adaptador de tomada me traz lembranças profundas.

Mas há algo de mágico nas mudanças da vida. Há algo de necessário na intensidade com que nossos sentimentos vêm à tona. Algo de engrandecedor, de gigante, que faz de nós todos seres profundos e prontos a contribuir para o universo de maneira imprevisível.

Há algo de sedutor em nunca saber o que vem por aí.

Né não?

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Posted by Nhatinha on February 22nd, 2012 | 5 Comments »

e novos baianos te podem curtir numa boa

Brasil ,

De Maputo a São Paulo, com conexões prolongadas no Rio, em Natal e Salvador.



A verdade é que não tive tempo de processar tantas mudanças em tão pouco tempo: a eficiência do delivery online – coisa rotineira para tanto paulistano – ainda me deixa estupefata; o grande movimento nas ruas, confesso, deixa saudades de andar na Baixa; e, também devo admitir, São Pedro não está ajudando nem um tico na minha adaptação.



Troquei a vista do mar por esse novo horizonte aí de cima. Mas faz tempo que virei defensora ferrenha de que felicidade é questão de vontade: estou pondo isso mais do que à prova e não sou de desistir fácil.

Essa linha de prédios, cercando um oásis verde em meio a avenidas movimentadas (juro, fico desnorteada!), é promessa de muitas histórias para serem contadas.

Bora, Sampa, tamu junto!

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Posted by Nhatinha on January 22nd, 2012 | No Comments »

voltar & recomeçar

Brasil



E agora? Fui e voltei.

Reencontrei uma vida assim: como se embrulhada numa fita vermelha enorme colada com amor vindo das pessoas mais queridas que tenho, compondo o melhor presente de Natal que já tive em todos meus anos de vida.

Para trás, deixo a saudade de uma fase que não volta mais. E desvencilhar-se dela ainda é mais difícil do que parece: é como se meu tempo na África tivesse sido uma grande reflexão sobre a vida e, agora, vem o teste prático.

Sinto-me às vésperas de um vestibular pessoal: minha vida era um quebra-cabeças quase completo – de repente foram lá e tiraram todas as peças do lugar. E agora preciso escolher onde encaixo cada uma. I’m hungry and foolish again.

Encerro 2011 com a certeza de que fui e sou muito feliz. Que venha 2012, o fim do mundo e um recomeço universal.

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Posted by Nhatinha on December 27th, 2011 | 3 Comments »

c’est fini

África , ,



E chega ao fim minha aventura africana. Pelo menos por enquanto, pelo menos em Maputo.

Vai ser difícil expressar em palavras o quanto mudei e como está sendo voltar ao Brasil, mas essa será minha tentativa nos próximos relatos – além de contar tudo que deixei de contar nesses últimos meses de poucos posts.

Viver fora põe tudo em questão – corpo, cabeça e alma. Suas capacidades mais inexploradas afloram intensamente e sentimentos podem virar bens de consumo não-duráveis: se você não aproveitar, já foi.

Mas tudo catalisa-se num ritmo acelerado de viver: sem chão, a gente se agarra no que pode e descobre coisas boas e ruins onde nem sequer sabia que elas poderiam se esconder.

Deixo para trás uma parte do meu coração: com os amigos e com esse continente inexpressivamente magnífico. Para frente, está esse universo gigante cheio de novas promessas…e vou contando tudo por aqui!

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Posted by Nhatinha on December 10th, 2011 | 4 Comments »

cozy joburg

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13: Cerebrating #ifonografi

Fomos a Joburg ver o Coldplay lamentar a vida e, na véspera, amigos queridos nos convidaram para jantar. Paulistanos como são, não é que eles conseguiram achar a Vila Madalena da metrópole sul-africana?

Parkhurst pavement

Fomos num bistrô liiiiindo numa rua simplesmente entupida de bares e restaurantes no meio de um bairro residencial. Gostoso demais.

Não lembro o nome do bistrô, muito menos o endereço e meu cansaço de 6 horas dentro do carro me fez esquecer completamente de tirar foto – essas aí de cima, achei no Flickr. Mas vou voltar e compartilho tudo na próxima. Anyway, fica a dica: se quiser bebericar algo num bairro legal e seu guia indicar algum em Parkhurst, vai na fé!

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Posted by Nhatinha on October 20th, 2011 | No Comments »