sobre ir a china

May 13th, 2013

unreadable postcards

Já tinha desistido da China quando comecei minha viagem: não tinha dado tempo de tirar o visto no Brasil, fazer isso em outro país parecia um trampo penoso e, no fundo, não estava lá muito certa de que queria mesmo ir para lá.

Sempre detestei multidão. Não gosto, fico de mau humor, beiro o pânico quando sinto algum aperto. Situações que todo mundo costuma tirar de letra – um metrô meio apertadinho em dia de jogo, um bloco de carnaval cheio, um show com ingressos esgotados – exigem de mim um grande esforço psicológico para, literalmente, não ter um colapso nervoso.

O que passava na minha cabeça era: vai ser muito difícil aproveitar a China sozinha.

crowd
Foto escancaradamente roubada do Tiago (I)

Ouvi muito falar do quão difícil é se virar por lá por causa da língua e que os chineses não são lá muito simpáticos além de, por mais globalizada que tenha se tornado, a China continua sendo a China: uma ditadura de um partido só, obcecado com poder e mandando muito mais no mundo do que nossos líderes ocidentais gostam de admitir (ou não, difícil saber).

Mas o país continuava na minha cabeça. Alguma coisa me dizendo que não dava para deixar essa oportunidade passar. Meu instinto estava para tanto que, na hora de comprar minha passagem, garanti uma parada em Hong Kong só por via das dúvidas.

bye bye SEA

Algumas semanas antes de eu partir, meu pai fez uma viagem a trabalho para Beijing – de supetão, repentina. Meu estado intrigado aumentou. Ele voltou a tempo de me contar sobre a Praça da Paz Celestial; a Cidade Proibida e a Muralha. Coisas que você lembra remotamente de estudar na escola e depois escuta falar como algo distante, longe do seu alcance.

E quem não gosta da ideia de conseguir coisas longe do seu alcance?

great

Bastaram algumas conversas no skype para descobrir que – nas palavras dele mesmo – tinha um amigo tão demente quanto eu, que topou na hora a aventura.

asian style
Foto escancaradamente roubada do Tiago (II)

A China não é um país fácil. Rola uma tensão meio constante, meio onipresente. Estranha, mas discreta.

Quando fui tirar o visto em Bangkok, criei um clima esquisito quando a primeira atendente da embaixada leu no meu formulário que eu era jornalista. Ficou repetindo toda hora “Espera aqui. Você vai ter que falar com meu chefe. Espera aqui.” (ela ficava apontando para uma cadeira e fazendo uma cara muito séria).

Fiquei uma bela meia hora “esperando aqui” na tal cadeira, o nervosismo aumentando, me condenando pela burrice de ter posto uma profissão que nunca exerci, só está lá no meu diploma.

Tá certo, tem países muito mais tensos e jornalistas muito mais corajosos. E eu estava lá como simples mochileira. Queria só descobrir qual era todo o auê com o gigante asiático. Quem sou eu para falar qualquer coisa de danoso para o governo chinês?

chinese visa

Percebi que num país como a China, isso não faz nenhuma diferença. Não há espaço para o duvidoso. Tive uma pontinha – bem “inha” – da sensação do que é não ter liberdade. Já não gostei. Acho que foram aí que começaram meus problemas com os chineses. Conto mais disso depois.

dream come true

No fim, fugi da moça da embaixada assim que deu. Voltei no dia seguinte com um formulário que constava que eu era “desocupada/do lar”. Consegui meu visto em 24 horas e fui encontrar o Tiago em Beijing pouco menos de um mês depois do incidente.

Nesse meio tempo, li um livro que lembrava que “China was an empire when Europeans were still scavenging for roots and berries” (“A China já era um império quando os europeus ainda cavavam o solo atrás de raízes e frutas”).

Embarquei para a China com respeito: eu era apenas uma formiguinha testemunhando um gigante forte e resistente ao tempo em pleno vapor.

Foi exatamente isso que encontrei.

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camboja II: as ruínas de angkor

May 6th, 2013

rise & shine

Estou tentando escrever qualquer coisa sobre Angkor Wat desde que saí de lá e nunca deu em nada que achei bom. Como diriam os moçambicanos, sorry lá! Vai assim mesmo.

Angkor Wat é o complexo das ruínas que sobraram do grande Império Khmer.

funky towers

A majestade das ruínas de Angkor me pegaram totalmente de surpresa. Fui desavisada, como quem tivesse ali dando um rolé qualquer pela área.

Untitled

Mas é de cair o queixo. Não sei se, mesmo preparada, conseguiria deixar de me emocionar. O Império Khmer data de antes do ano 800 d.C. Como assim quando a Europa não era NADA isso tudo já tinha sido construído??

Saí de lá com vontade de comprar livros e mais livros sobre a história antiga do Sudeste Asiático.

Mas não recomendo visitar tudo em dias seguidos. Chega uma hora que, por mais bonito que seja, tudo fica muito igual e tem um limite de informação que é produtivo digerir por dia.

yellow

No primeiro dia, contratamos um tuk-tuk com guia para descobrir mais sobre a história…

faces

Pfff. Até parece! A gente contratou o tuk-tuk porque não existia a MENOR possibilidade de eu sair às 4h da manhã de bicicleta por aí para ver o nascer do sol num lugar que ficava há uns bons 10km do hotel.

Mas a gente achou mesmo que o guia ia ser legal para saber mais da história e dos lugares que iríamos nos dias seguintes.

Zeca, meu companheiro de aventuras cambojanas, rapidinho cansou do inglês lento e tedioso dos nossos guias…

Zeca

E devo confessar que as melhores horas desse dia foram o café da manhã e o almoço com a dupla: eles pediram coisas típicas para a gente em ambas as refeições e conversamos muito sobre a vida atual deles e o que eles viveram da história do Camboja (quando ambos nasceram, o Pol Pot ainda era ditador).

tomb raider

Nos outros dois dias, pedalamos e aproveitamos para ver os templos mais distantes – e, sem dúvida alguma, essa é a melhor forma de descobrir Angkor.

argonath feelings

Desses dias que passeamos pelas ruínas, senti a imensidão do mundo no coração. E uma sensação repetida, que tive no Egito, de longevidade só por fazer parte da civilização humana.

Quantas coisas grandiosas somos capazes de fazer, viu?

lost temple

E se a gente cismasse de, juntos, fazer algo muito bom para todo mundo? Sei não, podia até dar pé…

lost souls

Para quem quiser ir:
- A melhor coisa que fiz foi ir na baixa temporada. Li muitos relatos sobre como fica muito cheio e quase impossível ter paz nos principais templos durante as altas temporadas. Senti isso em pouquíssimos momentos – e esses momentos quase que exclusivamente se deram porque um grupo chinês apareceu no caminho. E um grupo chinês nunca – NUNCA – pode ser de pouca gente.

- Mas, se fizer o mesmo, tenha mais tempo: perdi quase metade de um dia presa num metro quadrado coberto de um templo por causa de um pé d’água surpresa.

- O consenso parece ser que comprar o passe de três dias é a melhor opção. Mais que isso, só se você tiver com bastante tempo de ficar por lá e puder descansar bastante entre as suas idas. Explicadinho aqui, o esquema de passes do complexo – foi onde achei a informação mais bem esmiuçada, mas tem um errinho: os passes podem, sim, ser usados em dias não-consecutivos, ao contrário do que diz no link (de resto está tudo certinho).

- Sou uma das piores pessoas que conheço para acordar cedo, mas não se pode, de maneira alguma, perder o nascer do sol em Angkor Wat.

- Já o pôr do sol em Phnom Bakheng é supervalorizado a não ser que você esteja aproveitando aquele bônus por ter comprado o passe depois das 17h. Se não, suba somente se já não tiver pedalado o dia inteiro.

- Sempre tenha muita água e repelente. Mata úmida e verão bombante a maior parte do ano.

- Não deixe de se cobrir: as ruínas são sagradas e, embora o esquema seja bem flexível, tem lugares que não vai ter jeito – se tiver de ombros ou joelhos de fora, não vai entrar. Quer dizer, até vai, mas terá que morrer em uns bons dólares (alugando blusa ou lenço) por ter esquecido o respeito em casa.

- Vá de bicicleta! Mesmo que você intercale com um ou outro dia de tuk-tuk, o clima é outro, garanto.

- E me perdoem por desmistificar a experiência, mas duas cenas clássicas do cinema blockbuster passaram pela cabeça em alguns momentos das pedaladas por Angkor: a entrada do Jurassic Park e o Aragorn chegando em Argonath (na verdade, pensei na descrição do Tolkien, mas acho que a cena do filme transmite bem a majestade do momento). Essa cara de olhos esbugalhados e queixo caído foi exatamente a que eu fiz quando entrei em Ta Prohm pela primeira vez.

- Não enlouqueça querendo dar conta de todos os templos – até porque, como já falei, uma hora fica tudo igual. Vá com calma, leve ou compre frutas para um piquenique e não deixe de ter um bom livro na mochila. A paisagem é para ser apreciada, não conquistada.

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camboja I: o povo que me tirou de mim

May 1st, 2013

party

Difícil de acreditar, mas o Camboja nunca esteve na minha lista de sonhos. Para falar a verdade, meu fascínio pelo país só surgiu depois que já tinha decidido ir para lá. E decidi ir só porque muita gente – muita gente mesmo – insistiu que era imperdível.

É o tipo de destino que você consegue perceber um brilho a mais nos olhos de quem o descreve.

Enfim. Basta ver uma foto (e nem precisa ser muito boa) de Angkor Wat que você chega a essa constatação por conta própria. Eu ajudo, toma aqui:

bayon

Existe um aspecto do Camboja que nunca vi registrado em nenhum guia “oficial”: o povo de lá foi quem criou a palavra bem-vindo.

on the rice fields of Cambodia

Procura aí. Tenho certeza que essa palavra surgiu no império Khmer e partiu de lá para conquistar o mundo.

company

A partir do Camboja, parei um pouco de obcecar comigo mesma – até porque, depois de longos meses lutando contra algumas ressacas psicólogicas, finalmente achei possível encontrar algum tipo de paz interior.

E daí comecei a olhar para o mundo. Impulsionada por um livro comovente e por um filme emocionante, já cheguei olhando para o povo diferente – centrado e único, convicto sem ser rude. De bem.

girls

Se serenidade pudesse compor o PIB, o Camboja era uma nova potência mundial. E, olha, fui para uma cidade turistona. Não experimentei o Camboja “de verdade”. Mas acho que é o tipo de coisa que nem a globalização consegue estragar.

maquiagem em ankgor

Definitivamente, me convenci que crises existenciais são um grande mal criado por nós, habitantes metropolitanos ocidentais. Não sei explicar, mas existe uma ausência de angústia no Sudeste Asiático que tem muito a nos ensinar, viu.

Sabe aquela imagem que a gente precisa para nos lembrar que a vida é maior do que aquele estresse do trabalho, do que o seu último pé na bunda, do que o trânsito nosso de cada dia? A minha preferida, vivi aqui: pedalando pelas ruínas de Angkor, na beira do rio Siem Reap, respirando o ar cambojano.

cycling through

Para quem quiser ir:
- Assim como no Laos, a maior graça para mim aqui foi observar. Meu lado neta-de-professores-filha-de-pesquisador aflorou com tudo. Os templos são absurdamente lindos por si só, mas garanto: a história de um dos maiores impérios do primeiro milênio e a história sofrida do povo cambojano fazem da estadia uma experiência muito mais rica e profunda. Desperte o seu lado nerd antes de ir.

- Óbvio que todo mundo só vai a Siem Reap para ver as ruínas de Angkor Wat. Mas achei a cidade simpática – é exatamente o que se imagina quando se pensa em ir para a Ásia: bicicletas e motos dominando as ruas num caos que você não compreende posteriormente como sobreviveu e mercadinhos à noite com gafanhoto no espetinho e coisas lindas por preços de banana.

- Vale a pena fazer a visita à vila flutuante, uma das únicas outras atrações por lá. O dia estava feio, mas o lago de Tonle Sap é majestoso e a vila é, de fato, incrível.

- Não troque seus dólares por riel quando chegar no Camboja! Nos caixas eletrônicos, só sai dólar e eles são aceitos em qualquer lugar. Qualquer lugar mesmo. Riels são tratados como moedas e muitas vezes são recusados ou aceitos com um câmbio muito desfavorável.

- Ouvi alguns relatos meio pesados sobre as fronteiras terrestres cambojanas. Mas foram de gringos – continuo acreditando firmemente que europeus e americanos são muito mais otários que a gente, mas vale o toque, já que não vi muito blog por aí falando disso.

- Fui de avião anyway porque foi preciso conciliar agendas de amigos de férias e o aeroporto de Siem Reap é, além de uma fofura, eficiente e prático. Tirei o visto lá mesmo, moleza total.

- Dividi um quarto no Shadow of Angkor II e amei no nível “posso ficar mais?”.

- A comida cambojana é uma delícia e bem menos apimentada que a de seus vizinhos. Não deixe de experimentar um bom prato de Amok, um tipo de cozido com peixe e leite de coco.

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chorando no laos

March 11th, 2013

Believe. That life can change, that you’re not stuck in vain.
Smashing Pumpkins

mekong

Não sei até hoje como tive forças para ir embora de Luang Prabang. Mas, ao contrário de praticamente todo estrangeiro que pisa lá, minha paixão não foi imediata.

Minha primeira noite na beira do rio Mekong trouxe também minha primeira grande crise de choro na viagem. Ok, foi um acontecimento tardio e esperado. Aliás, o inesperado foi ter demorado mais de dois meses para acontecer!

wondering

Quando embarca numa viagem dessas, é certo que você terá revelações incríveis, descobertas sutis, mudanças permanentes. Não estava esperando um mar de flores me aguardando em cada destino. E sabia – muitíssimo bem, por sinal – que meus maiores perrengues seriam emocionais e não logísticos.

Maputo me preparou muito bem para gostar dessas experiências – de saber que não tem como o saldo ser ruim. Mas também já havia me ensinado que não tem como ser fácil.

Então, quando sentei num restaurante na beira do rio e senti as lágrimas chegarem, virei a cadeira para a margem e deixei tudo rolar.

river

Veio tudo: a tristeza (e certeza) de que tudo de melhor dos meus últimos anos tinha acabado. Que muitos começos viraram fim sem eu nem sequer ter chance de me preparar minimamente. Que viajar sozinha pode até ser fácil mas e daqui para frente? E a vida? E os problemas de verdade, que me esperavam, quietinhos e pacientes, no portão de desembarque do Galeão?

E a culpa? Sim, porque fui encarregada de todas essas escolhas, tenho minha parcela de responsabilidade em tudo que deu errado. Qual era? Como que eu faria diferente daqui para frente?

Daí aconteceram duas coisas: o garçom chegou com a minha cerveja e uma amiga me mandou uma mensagem pelo celular. Ambos fizeram a mesma pergunta: “você está bem?”

Não sei se convenci o garçom, mas respirei bem fundo, juntei meus cacos e respondi minha amiga com sinceridade: “estou ótima”.

postcards

E, com o passar dos dias, Luang Prabang me convenceu de que eu estava mesmo: não tem lugar melhor para curar seu desespero do que uma cidade onde todo mundo parece estar em paz.

fishing

Luang Prabang, além de incrível por todos seus programas turísticos (lá embaixo conto mais) e por seu povo, me mostrou que dias ruins vão acontecer, mas também vão passar. Invariavelmente tudo se encaixa. E quem sou eu, ali, no meio da realização de um grande sonho, para dizer que não??

Como ir embora de uma cidade que te salva do seu maior desespero, de tudo que você estava arrastando com você até ali? Luang Prabang foi um ansiolítico em dose cavalar.

breakfast

Só fui embora porque, logo ali, estava o Camboja.

Para quem quiser ir:
- O Laos tem muito mais a oferecer, vale investir.

- Aviso logo: se você também morou em Petrópolis, vai achar o vale onde o rio Mekong faz a curva igual a Itaipava.

- Mas ele é um riozão e nem de perto se resume a isso. Não deixe de fazer um bom passeio and have a full taste of happiness

- Achei o tak bat para os monges overrated. #prontofalei. Essa afirmação provavelmente faz de mim uma herege em alguns círculos sociais, mas achei mesmo. O ritual em si – seu propósito, sua preservação, etc. – é muito bonito. Mas, por lá, achei muito turistão, muito ensaiado, cheio de gente fazendo oferendas e mal sabendo do que se tratava. Talvez tenha sido uma época ruim – e só fui uma vez – então posso ter ficado com uma impressão totalmente errada da experiência toda. Aqui e aqui tem resumos parecidos com o que achei da situação.

- Não fique muito afastado da Sisavangvong Road, a rua principal da cidade. O que não der para fazer a pé, facilmente pode ser feito de bicicleta, mas a graça está mesmo em perambular sem rumo e observar o povo. Por isso mesmo, é um lugar que acho que vale investir numa boa hospedagem. Ter um dono e um staff simpático que gostem de conversar vão fazer toda a diferença na sua estadia. Fiquei no Oui’s Guesthouse e adorei – fiquei boa nessa coisa de escolher hotel, viu?

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chás & templos

March 4th, 2013

“It was just a relief to be shielded from my own judgement.” Stephen Schettini

learning the hard way

Passei o resto dos meus dias em Chiang Mai em paz. Entre chás gelados e templos silenciosos; entre feirinhas e restaurantes. Fiz amigos europeus, conversei muito com tailandeses, andei a cidade INTEIRA…

yummy

Meus novos amigos me contaram sobre fazer rapel e trilhas incríveis. Parece mesmo um destino agitado. Para mim, Chiang Mai foi sobre descobrir o que é ficar simplesmente tranquila. Nem sempre você precisa de um propósito ou de uma proposta para viver. E esses intervalos da vida podem causar mais efeitos do que muitas aventuras.

kiwi

Esqueci, de uma vez por todas, essa necessidade que naturalmente sentimos de precisar ter o que contar, de viver coisas diferentes para compartilhar. Passei a ser minha própria motivação – e a minha própria felicidade.

cozy

Mas Chiang Mai foi só o começo, uma introdução amena à serenidade profunda que me esperava no Laos.

Para quem quiser ir:
- Fiquei na Chiang Mai Thai House, uma guesthouse fofa e bem em conta (dividi com uma amiga).

- Não deixe de tomar café da manhã no Libernard Café, a dona é uma fofa, o café é uma delícia e o ambiente é incrível.

- Use e abuse dos tuk-tuks – mas barganhe muuuuito! Outra maneira super agradável de get around é alugar uma bicicleta. Eu ainda preferi caminhar, a cidade não é tããão grande assim.

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meditando na tailândia (parte II)

December 12th, 2012

buda in the bush

Os primeiros dias do retiro foram de aprendizado das técnicas de meditação – era um retiro para iniciantes, grupo no qual me incluo até hoje.

Minha experiência com meditação tinha sido limitadíssima até então: dez ou quinze minutos algumas vezes por semana e durante zonas de turbulência em voos (tenho pânico de avião).

E daí me vem o monge Kawi e bota todo mundo de cara para ficar QUARENTA minutos praticando as técnicas que ele acabou de ensinar.

Foi bem um sketch de filme: respirei fundo, fechei o olho e me concentrei…Hm. Ok, foco na respiração. Foco….foco…ai mosquito chato. Será que posso levantar a mão para espantá-lo? Claro que não, né, Renata, meditação, duh. Foco. Foco….foco….será que eu fui maluca de deixar meu mochilão lá com a menina que conheci ontem? Caceta, vou me….foco, Renata! Affe! Foco. foco….

E por aí vai.

Depois de um tempo, você consegue, invariavelmente, entrar no espírito da coisa. Afinal, você está no meio das montanhas na Tailândia, num lugar milenar, rodeada de budistas. Absorvi tudo da melhor maneira que pude, mas não adianta: meditação vipassana ainda não é comigo.

red

Alguns dias depois, o monge dividiu a gente em grupos menores para perguntar como foram as meditações para a gente, ouvir nossas dificuldades e dúvidas. Contei que ficar parada não é um problema – meus joelhos não doem, a dor nas costas é quase nula e não fico com sono. Mas os pensamentos…eles vem, ficam, perturbam, me irritam e, quando vão embora, é só para dar lugar para outros. Falei que, meditando, quase nunca vem sentimentos bons, felizes – só perturbações, mágoas, críticas ao mundo e a mim mesma.

A resposta dele, como as respostas de monges sempre são, foi simples e incisiva: “hm. Sua alma ainda está inquieta para a meditação profunda. Paciência é sempre a solução”.

standing meditation

Uma das coisas que mais gostei no monge Kawi é seu pragmatismo que, por sinal, é muito característica do budismo. Depois dessa declaração profunda e filosófica – que, em outros tempos só me faria revirar os olhos – ele simplesmente emendou em dicas claras: mude de técnica (ele me mostrou várias alternativas) e pratique o máximo que puder.

No fim, se descobrir, olhar para dentro e fazer uma autoavaliação não escapa de ser um trabalho lento e progressivo – como tudo de substancial na vida tende a ser.

oferenda

Ao longo do retiro, contei para o Kawi que sou ateia. Gosto da filosofia budista, mas não acredito em reincarnação e medito para mim mesma – carregava uma culpa de achar isso um pouco egoísta e hipócrita já que o budismo, por mais tolerante e aberto que seja, é uma religião também.

A resposta dele? “Se todo mundo for egoísta ao ponto de olhar para dentro, se melhorar e contribuir positivamente para o mundo, nossas comunidades serão pacíficas e melhores. Isso não depende de crença religiosa – nem deve. Continue no seu caminho.”

ancient yoga

Certa hora, entre sessões, estava sentada sozinha num escada olhando o horizonte enquanto o resto do grupo tomava chá e papeava. Nem senti o monge se aproximar – quando me dei conta, ele estava do meu lado, sentado e rindo da minha cara.

“Não pense demais. As pessoas pensam muito sobre suas vidas e sobre o futuro ao invés de focar no presente. Nós podemos ser gentis e felizes agora. O futuro, só podemos mudar quando chegar, não adianta gastar tempo com o imprevisível”.*

Or something like that. :o)

roof

*A citação literal, lembro bem, foi: “Don’t overthink. People think too much about their lives and the future instead of focusing on the present. We can be kind and happy now. The future, we can only change when it comes. No use in trying to foresee what’s impredictable.”

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meditando na tailândia (parte I)

December 6th, 2012

Não tive grandes dúvidas sobre onde ir na Tailândia. Era o primeiro país budista que eu visitava, veio logo depois do Egito…nada sugeria que eu caísse no circuito Full-Moon-Party ou fosse island-hopping.

Depois de uns dias explorando Bangkok, parti para Chiang Mai.

chiang mai

No trem, li no Lonely Planet sobre um retiro de meditação por lá. Era a última opção das atrações todas da cidade e a única que me interessou, levando em conta o contexto da viagem e o mau relacionamento com a adrenalina que alimento desde sempre. E andar de elefante e escalar a pedra de uma cachoeira não pareciam mesmo tão self-discovering quanto queria que a Tailândia fosse para mim.

thai train

Minha chegada a Chiang Mai não foi das mais agradáveis. A viagem de trem me quebrou, o albergue que reservei não me agradou e passei os primeiros dias me reajustando. No segundo dia, acordei de mau humor, fiz o checkout, me recompus e fui para o templo descobrir sobre o retiro.

white & gold

Cheguei no templo quase derretendo e descobri que era um grande complexo universitário para monges. Tudo muito incrível, mas enorme – o resultado foi que me perdi e fiquei uma boa meia hora tentando me achar por lá.

Estava prestes a desistir quando um monge passou por mim e de repente parou. Deu meia volta, parou de novo do meu lado: “Você parece estar perdida. Posso ajudar?” Não parece ser muito comum monges abordarem estrangeiras assim, então, um pouco espantada, respondi que estava procurando informações sobre o retiro. “Ah, que ótimo! Por favor, sente-se, posso responder suas perguntas.”

Monges. Tão filosóficos e coerentes mesmo nas frases mais simples, né não?

gold

Descobri que ele era, vejam vocês, o coordenador do retiro. Passei mais uns 40 minutos contando para o monge Kawi sobre como tinha ido parar na Tailândia e como minha vida tinha dado mais reviravoltas do que eu tinha podido agüentar nos últimos meses (tudo, na verdade, respondendo perguntas que ele me fez).

Foi a primeira vez na viagem que admiti para alguém “estranho” que eu tinha sido demitida (até então tinha tido um pouco de preguiça e um pouco de vergonha de contar). Ensinei também um pouquinho de português que ele pediu: “Oi, tudo bom?”, “Tchau” e “Obrigado”.

thai

Ele se divertiu muito com o fato de que “obrigado” tem variação de acordo com o gênero – “just like in thai!”. Em tailandês, se você é mulher, você fala “sawadee ka” (oi) e “kohp kuhn ka” (obrigada). Se for homem, é “sawadee kaP” e “kohp kuhn kaP”.

O retiro começava no dia seguinte e, até começar mesmo, eu tinha entendido que o Kawi era apenas o coordenador do programa – mas não! Ele realmente era o líder do retiro!

offers

Foi ele que nos ensinou a meditar, que fez uma rica introdução ao Budismo e que acompanhou a gente o tempo inteiro. Até hoje fico atônita em ter cruzado justamente com ele no templo e de ele ter parado para falar comigo. Ok, monges são extremamente sensíveis e perceptivos, mas vou para sempre achar incrível o modo como tudo se encaixou naquele dia.

Já já conto mais de como foi lá.

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nice to meet you, asia

November 22nd, 2012

Bangkok pode ser o que você quiser.

lichias & mangostinis

Só templos, mercados de rua e massagens. Ou só piscina, baladas e hotéis 5 estrelas. Só tuktuk ou só taxi. Só arroz frito ou só pad thai.

pad thai

Só mochileiro europeu doidão ou só gente papo cabeça. Modernidade e tradição chocando-se a cada esquina. Expatriados felizes ou imigrantes sofridos.

bangkok

Dois dias entre destinos turísticos ou vinte dias de profunda observação antropológica. Ou uma mistureba de tudo isso, ensopado e bem cozido.

Bangkok pode ser o que você quiser.

floating market

Você pode achá-la feia, bonita, caótica, tranqüila – tem uma cidade para cada um, travestida de acordo com seu desejo.

A minha Bangkok foi introspectiva e esperada. Foi fácil. Foi como achar uma coisa que você sabia que existia – sabia que viria – mas não sabia nem quando nem como. Foi achar um lar dentro de mim mesma, sem precisar de uma versão física.

Aquela lição, aquela verdade tão clara que você quer tirar da sua cabeça e cravar de vez no coração apareceu aqui. Por lá, (re)aprendi que é possível gostar de mim. A aceitar o que pode ser visto como defeito, a gostar de não gostar de certas coisas, a deixar mágoas e fantasmas começarem a escorrer pelo ralo como se isso fosse uma tarefa fácil que eu estava postergando por estupidez.

Minha Bangkok foi devagar. Como aqueles videoclipes em que o cantor está numa velocidade e o resto da cena em outra. Ray of Light e 2 Become 1 feelings. Foi meu coração me dizendo que cada um tem seu tempo e que, para se achar, tem que sair vivendo por aí mesmo.

Existe uma Bangkok dentro de cada um de nós.

khaosan road

A Tailândia é a porta de entrada perfeita para quem nunca foi à Ásia: com o choque cultural minimizado pelo liberalismo da invasão de turistas gringos, você aprende, natural e lentamente, a acenar com a cabeça para agradecer, a falar mais baixo e a não apontar seus dedos dos pés para o Buda. Você aprende que ser formal pode ser confortável e necessário, por vezes. Que cruzar as pernas nem sempre é a forma mais elegante de se sentar. Hábitos bobos e novos. Mas começam a ser tão naturais quanto agradecer falando kop khun ka.

grand palace

Ou não. :)

Para quem quiser ir:
- Seja um turista consciente, um responsável cidadão do mundo e leia isso antes de embarcar.

- Chegando em Bangkok, eu já estava no espírito de volta ao mundo: cheguei sem reserva, sem ideias e sem sequer ter lido um parágrafo do meu Lonely Planet no avião (estava passando mal, lembram?), mas, louca por mapas e geolocalização que sou, acabei comprando o Groovy Map, uma espécie de mapa-quase-guia escrito por um expatriado. Facílimo de achar e com dicas ótimas.

- Mas o que não faltam são guias e blogs detalhando os pontos turísticos basicões de Bangkok. Escolha o de sua preferência. A única humilde opinião que me disponho a dar é que, se você for desencanado em visitar os pontos obrigatórios, pule o Grande Palace e foque no Wat Pho e no Wat Arun. Muito menos gente, muito mais quality time.

- A controversa Khao San Road ainda é o lugar mais prático para quem está indo pela primeira vez. Ela é um caos e super barulhenta – se tiver problemas para dormir, melhor ficar nos arredores e não na própria rua. O que não faltam são hoteis para todos os gostos na região.

- Fiquei no Dang Derm, depois de uma noite estranha no Rikka Inn

- Os tailandeses são super LIMPOS! Por essa você não esperava, né? Nem eu. Coma tudo sem medo e repare: luvinhas e saquinhos nas barraquinhas mais chumbregas de qualquer esquina. As roupas mais bem lavadas e cheirosas da minha viagem foram lavadas aqui ó:

thai laundry

- Use e abuse do Skytrain, aprecie o calmo (mas relativamente limitado) metrô e, se tiver procurando aventura, arrisque-se nos ônibus da cidade – não tente entender as rotas deles, só funciona no esquema de perguntar pro motorista se ele passa perto do seu destino mesmo. Bangkok também tem um sistema super eficiente e baratíssimo de transporte fluvial.

- Mas alguma hora você vai, sim, precisar de um taxi. Tem de todas as cores e não tem muito problema pegar qualquer um, mas sempre – SEMPRE – no taxímetro. Não faça preço fixo, nunca vai valer a pena.

- Em Bangkok, ao contrário de quase todas as outras cidades do Sudeste Asiático, não vale a pena pegar tuk-tuk. Nem negociando o preço e, sobretudo, se você estiver perto de pontos turísiticos. Prefira taxi – é menos legal, eu sei, mas você dificilmente vai só para Bangkok, então terá muitas oportunidades de curtir aventuras em tuk-tuks mais em conta.

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aprendendo com os turcos

November 10th, 2012

up

Demorou para conseguir verbalizar minha passagem pela Turquia, a segunda parada da viagem. A verdade é que, meses depois, ainda estou digerindo o país.

Na Turquia, respirei fundo e vivi.

kapadokya

Relembro deliciosamente cada dia do meu período turco como se tivessem acontecido semana passada. Tento contar quantos “medos” superei por lá: de sentar sozinha num restaurante a viajar de ônibus sem entender absolutamente nada da língua. E não achei ainda uma forma de agradecer ao universo por me achar tantos anjos da guarda e alívios emocionais.

Aprendi a não esquecer de mim. Aprendi a tomar çai, a amar baklava e que voar de balão não dá medo. Que não preciso de música para passar um dia inteiro comigo mesma; que preciso ser mais seletiva com museus e que flertar pode ser divertido e respeitoso. Que, como eu já suspeitava há tempos, pode-se não ter tempo para nada e, mesmo assim, não sofrer.

E que sua voz mais profunda não é seu coração: é o equilíbrio delicado e quase perfeito entre ele e sua mente.

beginning

Istambul é exatamente a mistura que se propõe a ser – uma coisa meio Europa, meio Ásia que, por vezes, me lembrou o Brasil: na eficiência imperfeita de seus processos, na dificuldade desnecessária do seu dia-a-dia, na facilidade de achar gente disposta a te receber bem.

mosque

E não importa quantas vezes e qual meio de transporte você use, atravessar o Bósforo não enjoa e não cansa. É o estreito de Bósforo! Milhares de pessoas morreram tentando defendê-lo! Ele caiu no seu vestibular! Bom, pelo menos no meu, na época que existia vestibular….

Bosphorus

E o tempo resolveu tudo: hoje paga-se míseros trocados para facilmente navegar por suas águas, atravessar suas pontes, pular de um continente para outro. Ou não se paga nada e caminha-se às suas margens – você de saia e camiseta ao lado de uma mãe de burka, ambas desfrutando a liberdade que merecem e que anda tão desrespeitada por governos, milícias, corporações e fronteiras.

Ir para a Turquia é aprender (ou ser relembrada) que o mundo é grande, mas é um só. E a gente vive nesse mesmo espaço, quer queira, quer não. Por mais espremido que às vezes ele possa parecer, a gente é capaz de, aos trancos e barrancos, viver lado a lado e conviver com as nossas diferenças.

A Capadócia é inexplicavelmente mágica…

turkish eye

homes

…e Pamukkale é tão bonito quanto nas fotos.

blue

summer

Éfesos, creio, foi um consolo por não ir a Grécia, mas foi apenas aquela parada obrigatória de turista (se um dia se depararem com a dúvida de ir ou não a Éfesos, optem por outro lugar).

pillar

long road

Mas Istambul….se puderem, morem em Istambul algum dia.

cheers hostel

Para quem quiser ir:
- Meus preparativos para a Turquia se resumiram a ler o blog do Arnaldo. Não precisei de muito mais, os posts são ótimos.

- A Lívia postou dicas e detalhes do roteiro dela que foi bem parecido com o meu. Ela também dá umas ótimas sugestões para Istambul.

- O aeroporto de Istambul é uma espécie de Galeão – longe de tudo que interessa (não falei que parece com o Brasil??). Não pesquisei muito, mas agendei um traslado no próprio albergue por 10 euros e achei justo, sobretudo porque meu voo atrasou na escala de Frankfurt (esses alemães não são mais os mesmos!) e o pobre coitado do cara ficou lá me esperando na maior paciência.

- Fiquei hospedada em Sultanahmet, o bairro histórico e super turístico. Walking distance de muitos pontos turísticos, é bem fácil sair de lá também a qualquer hora do dia e da noite, embora de madrugada (acredite, você vai precisar voltar de madrugada uma ou outra vez, ou até muitas) só de taxi mesmo. Se você for adepto da nightlife pesada, nem hesite: fique em Taksim.

- O Cheers Hostel foi um dos meus albergues preferidos da viagem inteira. Senti-me em casa e a galera que trabalha lá é gente boa até dizer chega. Do tipo que vai te acordar para você não perder seu voo. Mas é hospedagem para mochileiro mesmo, sem grandes frescuras.

- Turisticamente falando, Istambul é igual a Paris: a graça é andar. Por quanto tempo você aguentar e aonde você puder, troque qualquer transporte por uma boa caminhada.

- Todo mundo fala muito da dificuldade de se negociar com os turcos, mas foi muito fácil! Brasileiro está treinado para a vida, aproveite seus talentos e exercite seu jeitinho brasileiro que você vai se sentir em casa na Turquia.

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shokran, egito

November 2nd, 2012

Então o esquema vai ser o seguinte: vou contar o que der, na ordem que vier e do jeito que sair. Porque, depois de tudo, o que me resta de inspiração é sentimental e não muito descritiva, emotiva e bem pouco narrativa. Bagunçado, misturado e nada linear.

Tanto assim que vou começar pelo Egito, um país tão intenso, contraditório e rico como sua história.

tired

Vi um país decadente e um povo esperançoso num momento de grande incerteza. Vi tolerância esforçada e intolerância velada. Vi uma África que não carrega a mágoa de ser ex-colônia, mas alimenta o ressentimento de ter sido abusada e roubada. O orgulho ferido de Impérios caídos.

O egípcio não me parece ter esquecido de quem já foi para o mundo – exige reconhecimento. Mas sabe que é um tempo passado. Que o presente é duro e desordenado; indefinido e pior. Vaidade e receio vivendo num mesmo coração, expressados em faces contidas.

proud

Mas isso são meras impressões – superficiais e ralas – e é só isso mesmo que posso oferecer.

Não me senti bem no Egito. Fiquei à mercê de tours, guias, hotéis e ambulantes. Não tive nem vontade de sair do circuito clichê. Algo sobre ir a qualquer lugar e só me deparar com homens me deixou inquieta. Algo sobre ser atéia num país tão marcado por religiosidades – sejam históricas ou vigentes – me deixou oprimida.

Achei que Moçambique tinha me treinado a ser gringa em qualquer lugar; achei que a Turquia tinha me deixado mais à vontade entre burkas e hijabs, mas o Egito me despiu.

luxor

Fez-me refletir sobre tudo em que acredito. Relembrou-me da instabilidade humana e do incessante movimento civilizatório que atropela quem ousar querer ficar parado no tempo.

saara

Mesmo assim, é impossível não se emocionar com a beleza egípcia. O orgulho do povo tem fundamento. A energia dos templos é imponente. Tem que ir para entender, para sentir, para descobrir… tem que ir.

kings valley

pillars

veraneio

Saí do Egito humilde. Mais introspectiva e menos espaçosa. Levo comigo a tranquilidade renovada que talvez só um banho no Nilo pode te proporcionar; a certeza do que preciso para viver e o que espero de uma sociedade.

Levo paz.

ramsés

Para quem quiser ir:

- Agora é a hora! Segundo um cara da NatGeo, o turismo no país diminuiu 95% após a Primavera Árabe. Isso significa preços mais baratos, um povo mais receptivo e, frequentemente, momentos exclusivos em pontos turísticos impressionantes. Infelizmente, a instabilidade parece que achou o aconchego no Egito. Pesquise bem a situação por lá antes de ir, os alertas do World Nomads são uma boa fonte para viajantes.

- Mas… vale tomar cuidado. O Egito era o único país “tenso” para mulheres no meu roteiro. Praticamente todo mundo que consultei e absolutamente todos os guias que li não recomendavam que mulheres viajassem desacompanhadas sequer no Cairo. Resolvi não inventar moda e fui de excursão – tudo maravilhosamente arranjado pela Bugio Viagens: foi um grupo pequeno, com um guia ótimo e super aberto a falar com sinceridade sobre o país e o islamismo (isso fez toda a diferença para o tour, sobretudo porque chegamos no dia seguinte à divulgação dos resultados das eleições e tínhamos muuuuuuitas perguntas!).


- Voei de Istanbul para o Cairo de Turkish Airlines que decepcionou um pouco nos quesitos conforto e pontualidade. Também vale dizer que foi a única linha aérea que não computou minhas milhas automaticamente (dei bobeira e, na hora de exigir as milhas, mandei meu cartão de embarque por correio normal e o comprovante se perdeu). Dentro do Egito, peguei dois vôos da Egypt Air e achei excelente (aviões Embraer ♥).


- Fiz Cairo > Luxor > Aswan. Deixei Alexandria e as praias do Mar Vermelho de fora, devido ao custo – meu orçamento era de mochileira, né?! E ainda tinha mais da metade do mundo pela frente. Ouvi de várias pessoas que vale a ida.


- No Cairo, fiquei no Mercure Le Sphinx (que, na verdade, fica em Giza) por um preço super acessível, fugindo totalmente do padrão da minha viagem.

- Nenhuma proteção solar é exagero – vale tudo. Passei mal no meu último dia no Cairo e tenho quase certeza que foi insolação. Acho que uma em cada três pessoas que conheço e que já foi ao Egito teve o mesmo problema.

- Independente do seu roteiro, não pode – mesmo! – deixar o Templo de Luxor e o Templo de Karnak de fora.

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