as dunas e o oásis

April 23rd, 2014

“I have always loved the desert. One sits down on a desert sand dune, sees nothing, hears nothing. Yet through the silence something throbs, and gleams…”
Antoine de Saint-Exupéry



Eu bem já sabia: vida no deserto começa cedo. Fomos acordadas às 4h30 para começar a aventura junto com o sol.

sunrise

Subir uma duna parece bem mais tranquilo do que é…

overview

E penamos para chegar no topo, mas aí estamos nós!

sunny

Esse deserto, chamado de Namib, é avermelhado assim porque – simplificando bastante a história – a areia enferrujou.

Seus grãos são mais pesados do que areia branca, “normal”. E, como o vento não consegue levá-los, as dunas não mudam quase nada de lugar e são todas mapeadas e numeradas para controle.

A Duna 45 (essa que subimos) é a única que é aberta a visitação. Se o vento não mexe no deserto, não somos nós que vamos mexer, né?

on the top

Na mesma manhã, fomos visitar o Deadvlei – Vale da Morte. Um antigo oásis que secou e deixou eternos rastros de sua existência.

wallpaper, but for real

Aqui explica melhor o fenômeno.

getting there

Mesmo em lugares tão turísticos, estar no meio do deserto é um banho de humildade. Esse universo cheio de fenômenos muito mais grandiosos do que qualquer coisa que mentes humanas podem criar…sei não, acho que deveríamos escutá-lo um pouquinho mais :)

talking

Post to Twitter Post to Facebook

o tour

April 16th, 2014



O tour que escolhemos percorreu o sul da Namíbia por 7 dias, totalizando 1800 quilômetros de estrada.

Foi muito chão e muitas vezes passamos quase metade do dia dentro do carro. Mas não incomodou: a janela sempre oferecia uma atração sempre impressionante.

oryx

A Namíbia é extremamente bem preparada para receber turistas. Eu estava um pouco familiarizada com algumas coisas pois o país se parece, em muitos aspectos, com o interior da África do Sul.

Mas a Carina, além de se impressionar tanto quanto eu com o cenário, ficou de cara com a estrutura dos campings que ficamos: praticamente todos tinham piscina e um tinha até wifi (!!). Além de banheiro com água quente e bar com cerveja gelada. Sempre.

campsite

camping with a pool

As estradas também eram excelentes. Nossa piada recorrente é que a maioria das estradas em que viajamos, mesmo sendo de terra, eram melhores que muita rua do Rio de Janeiro.

the view from within

Para quem quiser ir:
- Totalmente sem querer, usamos a mesma companhia que a Adriana, do Dri Everywhere, usou na viagem dela – o Wild Dogs Safaris. Amamos.
- Como sem querer? Porque a parte namibiana da nossa viagem foi toda montada – com muitíssima atenção e carinho – pela BelAfrique, uma agência bem pequetica de Cape Town. Além do tour, providenciaram hotel em Windhoek, transfer para o aeroporto e coisas afins. Tudo a um preço justíssimo e mais barato do que se tivéssemos negociado diretamente. Pagamos cerca de R$2.200,00 pelos nossos 10 dias na Namíbia, com praticamente todas as refeições inclusas, além da hospedagem e do tour.
- Todos os campings e guesthouses que fiquei na Namíbia estão aqui. Alguns, vou citar em posts; outros não.
- O norte da Namíbia parece valer muito a viagem, assim como Swakopmund, a famosa cidade na Costa dos Esqueletos (ou pertinho). Não fui por falta de tempo e quero muito voltar!
- Mas a Namíbia não é um país renomado por sua vida selvagem – só para alinhar expectativas. :) Se esse é seu foco, a vizinha Botswana é bem mais indicada.
- Como falei, fomos super bem servidas por lá: de infra-estrutura turística, de serviços excelentes, de sorrisos amigos e boa vontade genuína.

Post to Twitter Post to Facebook

caindo na estrada

April 14th, 2014

Desembarcamos em Windhoek bem na minha hora preferida do dia: o pôr do sol.



Voltei para uma África mais familiar para mim: o aeroporto pequeno, a estrada boa no meio de um revigorante e extenso nada, a guesthouse acolhedora depois de um longo dia.

Na manhã seguinte, já caímos na estrada. E que estrada…

first day on the road

Foi uma bela manhã entre as montanhas seguida de um almoço numa “cidade” no caminho.

broke

Chegamos cedo no camping e fomos curtir o pôr do sol numa duna das redondezas.

sunset

Uma das coisas que mais me impressionou na Namíbia foi a drástica mudança de paisagem numa questão de horas: numa manhã, você estava no meio – no meio MESMO – de um vasto deserto para de tarde se achar na beira do Atlântico; ou então você dorme do lado do segundo maior canyon do mundo para depois almoçar no Kalahari.

no filter, for real.

Nada mal para um primeiro dia!

Post to Twitter Post to Facebook

there & back again

April 3rd, 2014

colors

Dessa vez, fui com uma amiga companheiraça de viagem!

gal's trip

Como ela nunca tinha pisado em terras africanas, me senti na obrigação de fazer um pit stop em Cape Town. Até porque, qualquer motivo é motivo para ir para Cape Town, né?

ending day


Não fiz “nada de novo” (embora não acredite muito nessa expressão) o que não significa que não foi uma delícia – sobretudo por poder ver tudo através dos olhos novatos da Carina (a maioria das fotos desses e dos próximos posts são dela).

lazy

Curti muito voltar. MUITO. Nessa fase de poder conhecer tantos lugares novos, foi muito bom e relaxante voltar para um lugar que gosto tanto.


Num fim de tarde, fomos passear em Muizenberg, uma praia fofa e pacata perto da cidade. Um point de surfistas que me pareceu um pouco esquecida no passado, mas é histórico: além de ter sido berço do surfe sul-africano, foi onde os britânicos venceram os holandeses e, com isso, anexaram a África do Sul como parte do Reino Unido.

red


Essas casinhas coloridas são onde os surfistas guardam suas pranchas e trocam de roupa no inverno para partir pro mar.

E, só para terminar, mais uma foto de pinguim porque nunca é demais :)

ducking

No próximo post, começa a aventura namibiana!

Para quem quiser ir:
- Fizemos um roteiro parecido com o que sempre indico: Table Mountain de manhã + almoço em Camps Bay no primeiro dia (com direito a fim de tarde e jantar no Waterfront depois); e Cabo da Boa Esperança + Boulder’s Beach no segundo, jantando no Africa Café (ainda esprememos confortavelmente Muizenberg nesse dia).
- A ideia era fazermos Robben Island e o Museu do District Six no terceiro dia, mas ficamos com medo de perder o voo para Windhoek (que era cedo de tarde) e pulamos.
- Se tiver mais dias, ainda indico o passeio por Stellenbosch e um day trip para Hermanus.
- Mais detalhes sobre Cape Town aqui e aqui.
- E todos os posts sobre a África do Sul aqui.
- O Viaje na Viagem vai fazer uma post especial sobre o país, vale ficar de olho. Nesse meio tempo, aqui tem as recomendações de uma galera.

Post to Twitter Post to Facebook

sobre voltar à áfrica

April 2nd, 2014

“Watch every single sunrise and sunset you can. There is no sunset as beautiful as the African sunset, I assure you.”

cheers!

Embora ainda tenho muito o que compartilhar sobre como foi terminar a Volta ao Mundo, vou mudar um pouco de assunto por uma boa razão: mês passado voltei para África!

Calma, foram só férias :)



Mas deu para matar a saudade de muita coisa, renovar meu amor pelo continente, assim como realizar um sonho que tenho há pelo menos 4 anos: conhecer a Namíbia.



Não existem palavras para descrever o caldeirão de emoções que vivi ao voltar para a África. Não existe música, poesia, palavra que descreva a conexão especial que criei com o continente.

Voltar me mostrou que a energia de lá – assim como o pôr do sol – é única. Nem melhor nem pior: própria.

E, como quase tudo na vida, é preciso experimentar na pele para entender.

moça macua

primeira fileira

Respire o ar africano. Sinta os cheiros, mesmo que nem sempre eles sejam agradáveis. Veja a costa do Índico – e a do Altântico, por outro ângulo.

maré alta

brother

Caminhe por suas montanhas, seus desertos, sua savana e sinta o sol. Admire o céu – o mais estrelado que já vi.

on the lookout

my water

harmony

E seja contagiado pelos sorrisos.

boy

color

recreio

Só assim para entender.

Post to Twitter Post to Facebook

vá viver também

December 19th, 2013

Two roads diverged in a wood and I — I took the one less traveled by. And that has made all the difference.
Robert Frost



Faz bem mais que um ano que embarquei para ver lugares que sempre sonhei, ter experiências que nunca imaginei e tirar um tempo para simples e puramente viver.

Agradeço imensamente – fico, na verdade, absurdamente lisonjeada – com quem acompanhou meus posts. Se tiver só uma coisa que eu prepotentemente posso desejar com esses relatos, ela seria: vá também.

Não precisa ser viajar. Só viver a felicidade. Ou tentar descobri-la. Porque a gente, muitas vezes sem querer, posterga a felicidade para um futuro que parece sempre ali pertinho, mas que nunca chega.

Ano passado, vivi sem brigar, sem lutar, sem pensar muito no que surgia na minha frente – fisica e emocionalmente. Vivi o que quis – ou parecia querer, em alguns momentos – para aprender o que, de fato, importa para mim.

Olhem que incrível: morei dois anos em outro continente e dei uma volta ao mundo para voltar exatamente para onde estive no início da minha vida adulta.

Pode parecer um roteiro extremamente estúpido mas, garanto: é o exato oposto.

Descobri meus limites. Descobri meus porquês. Estou muito mais perto hoje de saber o que quero, espero e sou para o mundo do que antes.

Tudo ficou mais verdadeiro. Sou mais autêntica, mais leve, mais coerente.

Ainda tenho muitas respostas para desvendar e muitos defeitos a melhorar. Mas buscá-las ficou muito mais prazeroso. E eu, uma pessoa muito mais agradecida por o que tenho.

Aqui está o melhor empurrãozinho que posso te dar: é muito mais fácil – e muito mais barato – do que falam por aí. Descubra as barreiras que você mesmo cria para sua felicidade. Ela é insistente, tá por aí em algum lugar.

Vá viver também.

Post to Twitter Post to Facebook

mahalo

November 28th, 2013

mahalo

Não posso fazer um post sobre o Havaí.

A bem da verdade é que meu dinheiro acabou na Austrália e senti a vida – a de verdade – já me chamando de volta.



Passei cinco dias de pura paz por lá. Sozinha, feliz, me sentindo realizada e cheia de inspiração.



Mas estava na hora de começar a tomar novas decisões e decidir novos rumos, maiores que os próximos checkins.

A viagem tinha terminado, mas o resto da minha vida estava apenas começando.

Post to Twitter Post to Facebook

fugindo para o deserto no 5o continente

November 24th, 2013



Meus dias em Sydney foram ocupados com parques, leituras, música e people watching – habilidade que profissionalizei na viagem. A cidade é linda e os australianos fazem jus à fama: são tão legais que você tem vontade de sair abraçando todo mundo por serem felizes. Além disso, fui recebida de braços abertos por brasileiros super queridos.



Mas voltar para o Ocidente foi um profundo choque cultural.

Não consegui entrar no clima: cidade grande, todo mundo ocupado com seus afazeres, num mood que me pareceu familiar demais para o momento que eu estava vivendo e numa frequência longe demais da minha.



Lembro de olhar a lista de coisas para fazer em Sydney, ler dicas de viagem em blogs, trocar uma ideia com o pessoal do albergue e…não ter vontade de fazer nada.

Mas, sabendo que estava perdendo tempo sendo tola, fugi para o Outback.

Já dizia nosso amiguinho Kant que a natureza não nos julga. E foi na natureza que fui buscar conforto e conclusões.



Eu, que até poucos anos atrás não considerava sequer acampar, agarrei desesperadamente a oportunidade de passar dias inesquecíveis no meio do N-A-D-A. Sem banho, sem cama, sem teto. Nós e as estrelas.

Foi incrível.



O Outback australiano é desses lugares que tem uma energia que você não sabe explicar.

É terra pura.

Carregada de passado, sem as tantas camadas civilizatórias que a gente fica pondo no resto do mundo. De fato, um lugar que mexe na alma.



Depois desse hiato abençoado, resolvi voltar para a civilização de forma menos drástica: os braços queridos de uma amiga que amo. Fui para Brisbane passar dias deliciosos ao lado da Ariane e do Chris.



Depois de perambular tanto por aí por conta própria, alguém te buscar no aeroporto e abrir um sorriso cheio de amor pode te deixar profundamente comovida. Obrigada, Ari! ♥

Happiness is only real when shared.



Para quem quiser ir:
- A Austrália é um país espetacular – e vasto. Não indico para férias – o fuso, o trampo que é chegar, o alto custo. Fiquei com vontade mesmo foi de morar lá por um tempo.
- Tem gente muito mais especializada em Austrália por aí, brasileiros costumam amar o país e com toda a razão: somos iguais na alegria, por mais diferentes que sejamos na História. Vale explorar bem a blogosfera antes de ir.
- Apesar de eu não ter dedicado a devida atenção, Sydney é incrível, faça tudo que puder e fique o tempo que puder. Compre passes para o transporte público, vale muito a pena.
- Pouca gente fala disso, então vale o toque: a Austrália é cara. Hospedagem, comida, transporte. Vale pensar no orçamento da sua viagem para não ser pego de surpresa.
- Achei o Outback imperdível. Quanto mais roots você puder ser, mais intensa será sua experiência. Quem me levou para alguns dos cantos mais remotos do planeta foi a Way Outback. Indico muito fortemente, foi uma das melhores guias de viagem que já tive na vida e a logística foi super bem gerenciada, com grupos pequenos se você pedir (fui com 5 pessoas só, que viraram amigas queridas).

Post to Twitter Post to Facebook

o que a ásia fez comigo

October 27th, 2013

peking hostel

Foi com muita dor no coração que embarquei num vôo da Singapore Airlines rumo a Sydney, via Cingapura.

Sinto que vivi em outra frequência na Ásia.

Aprendi a meditar e a apreciar mais os segundos ao invés de ficar pensando nos dias.

Aprendi que fui abençoada com a liberdade – para escolher, para ser, para viver.

E que, de todos os luxos que tive ou tenho na vida, esse é o maior deles.

khmer

Aprendi que a gratidão é um sentimento pleno e necessário para ser feliz. E que tem muitas coisas na vida que, por mais que sempre achamos verdade, só aprendemos na marra.

Resgatei hábitos que a vida adulta na cidade grande tinha tirado de mim. Olhar as pessoas nos olhos. Não deixar a pressa me fazer esquecer um “bom dia” ou um “obrigada”.

oferendas

A vida está nas pequenas coisas que a gente deixa passar. E fazer as coisas por pressão social não dá em nada porque, se sua alma não está junto, você não está de fato fazendo.

A Tailândia me ensinou a apreciar o presente.

O Laos, a aceitar o passado.

O Camboja me abriu para o mundo outra vez.

E a China me mostrou que o aprendizado de verdade está em fazer essas certezas resistirem ao tempo e à vida real.

A Ásia me ensinou a viver com alma.

Post to Twitter Post to Facebook

hong kong

September 21st, 2013



Não esperava gostar de Hong Kong. Para mim, seria uma parada conveniente, uma possível porta de entrada para a China (e isso foi mesmo, u-hu!) e uma desculpa para ir até Macau.



Enquanto Macau deixou mesmo a desejar, surpreendentemente me encantei por Hong Kong. O Tiago continuou firme e forte na sua missão de me aturar e fomos super (mega ultra master) bem recebidos pela Daisy, que de cara nos encontrou no The Peak e nos mostrou um ladinho carioca da primeira grande metrópole asiática.



Fiquei com a leve impressão de que Hong Kong já viveu seu ápice e perdeu seu posto de proeminência na competição mundial por skylines cada vez mais megalomaníacos.

Mas isso não enfraquece a experiência – está tudo lá: prédios de mais de 100 andares, ruas movimentadíssimas – por falta de um superlativo BEM mais intenso – e o famoso horizonte vertical. É tanto prédio, que até olhando diretamente para cima pode ficar difícil de ver o céu.

skyline

Hong Kong é fácil. Apertadinho, frenético, mas confortável. As pessoas são atenciosas, pacientes, menos nervosas que na China continental. Parece um lugar de luxos – me pareceu que perdi uma parte da cidade pelo meu limitado poder aquisitivo. Mas, olha, me meti numas biroskas – e em outros lugares não tão biroskas assim – bem boas.



Também era temporada de tufão, o que deu um tempero a mais à viagem deixando a gente mais uma vez boquiabertos com a organização asiática. Um sistema simples, eficaz e rápido – andamos pela cidade o dia inteiro e foi muito, muito fácil – sem sequer precisar acessar a internet ou sair do rumo – saber qual era o nível do tufão que estava para chegar e se isso impactaria o funcionamento comercial e dos transportes públicos.



Tá certo que no pior dia – quando, de fato, tivemos que voltar para o hotel mais cedo – tivemos a ajuda de amigos locais. Getting by with a little help from our friends :)

Para nossa frustração, no fim, nada de tufão. Passagem sem emoção.

Não tive pique para fazer várias coisas em Hong Kong – malzaê, Tiago! – ficando poucos dias, seu ritmo precisa se adequar ao da cidade. E, no fim, bateu um tipo completamente diferente de depressão: eu estava indo embora da Ásia.

Para quem quiser ir:
- “O melhor restaurante de Dim Sum do mundo!
- Ficamos no Comfort Hostel mas não recomendaria fortemente. Falei um pouco dele no Tripadvisor.
- O show de luzes já deve ter sido impressionante, mas não crie muitas expectativas.
- A Daisy tem muito mais para contar com post imperdíveis aqui e aqui.
- E já deu para adivinhar, né? O post do Tiago, bem mais completo.

Post to Twitter Post to Facebook