Archive for April, 2010

Une pause de l’Afrique

Monday, April 26th, 2010

Eu e @jkmota fugimos rapidamente das tempestades de Maputo, mas já já retornamos. Na volta, conto tudim! :o)

une pause de l'Afrique

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Nelspruit

Monday, April 19th, 2010

Nesse fim de semana, fomos conferir o que que Nelspruit tem a oferecer, além de ótimos hotéis e das principais entradas para o Kruger Park.

No sábado, passamos boa parte do dia nas Sudwala Caves, um parque com as cavernas mais antigas do mundo, ao menos das que chegam ao conhecimento humano. Elas tem mais de 240 milhões de anos e já foram usadas pela família real da Suazilândia e pelos Boers durante a guerra com a Inglaterra.

As cavernas ficam na R359 a cerca de meia hora de Nelspruit. O desvio vale a pena, dêem uma olhada:
impressionante

No complexo das cavernas, ainda tem um Dinosaur Park (que não fomos), uma lojinha de souvenir que mais parecia um brechó (mas era ótima) e um restaurante com uma vista linda, mas preços salgados demais para a comida relativamente insossa.

Para residentes de Maputo, Nelspruit é também um frequente refúgio para a vida urbana desenvolvida: seus shoppings, cinemas e suas ruas são dignas de Primeiro Mundo. E a gente quer conhecer a África, adora morar em Maputo, mas é humano, né? Fizemos comprinhas no Riverside Mall e fomos no McDonalds.

Fikdik: McChicken na África do Sul NÃO é nada bom. Fiquem com o Big Mac (que é igualzinho) e o Quarteirão, que aqui tem uma opção Deluxe.

Aproveitamos também e buscamos nossos ingressos! /o/ \o/ \o\ \o/ /o/ \o\

Agora, todo mundo cantando comigo: “When I get older, I will be stronger, they’ll call me freedom…”


De noite, fomos ao News Café, que valia mais pela comida do que pela agitação – para a profunda frustração do @leomello. Mas nada que 7 brasileiros e 2 americanas empolgadas não resolvessem. Eu, que estava dirigindo e não bebi, passei a noite observando as garçonetes africanas tentando ensinar aos nordestinos passos e rebolados africanos.

Domingo foi para visitar o Jardim Botânico, que abrange o cruzamento dos dois grandes rios da região – o Crocodile River e o White River:
crocodile river x white river

É um parque lindo, muito bem organizado, GRANDE (não dá para conhecer tudo em um dia) e conta com um restaurante delicioso – a gente se esbaldou no buffet de 120 rands (cerca de 17 dólares).

A propósito, ficamos num guesthouse bem honesto com uma diária de cerca de 500 rands (70 dólares) por quarto (camas de casal ou duas camas de solteiro). O esquema é meio albergue (com banheiro fora do quarto) e a dona parece meio maluca, mas nos tratou super bem e não tem praticamente regra nenhuma – você fica com a chave da casa, usa a piscina e “lounge” (com mesa de sinuca) a hora que quiser, leva sua bebida e escolhe como quer seu ovo servido no café da manhã.

Quer dizer, Nelspruit é uma cidade pequena, acolhedora e um ótimo destino de fim de semana, sobretudo se você vai em excelente companhia como foi nosso caso :o)

Ficou para a próxima:
- passadinha no Mbombela Stadium para aumentar a empolgação
- Eloff Studio, para descobrir se vale a pena
- fazer um piquenique no Barbeton Nature Reserve

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Post dedicado

Thursday, April 15th, 2010

Ontem perguntei para algumas pessoas do que elas tinham curiosidade de saber de Maputo. Não foi grande surpresa que são coisas do cotidiano: como é andar na rua, como são os prédios, os táxis, a programação cultural e por aí vai.

Na verdade, o post de terça foi uma tentativa de matar uma curiosidade da @Barzilai sobre a programação televisiva de Moçambique. Reitero a promessa – para ela e para o @pedrocuri - que, assim que meus problemas de conexão acabarem, faço um post mais detalhado.

A @pmachado, por sua vez, me perguntou sobre os cinemas e eventos culturais em geral. Vou precisar de um pouco mais de tempo aqui para poder falar com mais propriedade – e também porque exposição aqui tem, mas elas só mudam uma ou duas vezes por mês. Cinema, não fui também ainda – mas já decidi que vou só pela experiência de túnel do tempo. Olha aí ó um dos cinemas daqui:

cinema

Como dá para ver, está passando Terapia de Casais e Sem Provas. No Gil Vicente (não o bar que tanto comentei já), 17 Outra Vez está em cartaz – esse mesmo que já deve estar repetindo no Telecine Light de vocês =) Tem ainda um terceiro, que está exibindo Lua Nova.

Ou seja, para estar atualizado, só mesmo download ou uma comprinha periódica nos apelidados “blackbusters” – os vendedores ambulantes de dvds piratas que abordarei melhor aqui quando achar um gente boa o suficiente para conversar e que não tente me vender um dvd goela abaixo.

A @juliabrowne me perguntou um pouco sobre os prédios em Maputo e como era andar na rua: como são as fachadas? E as ruas? E as caixas de correio? Detalhes da vida cotidiana que, realmente, quem nunca veio para cá, não consegue nem imaginar como seja (embora não seja tão diferente assim).
Pois bem, hoje saí fotografando de dentro do carro – portanto, perdoem a qualidade de algumas imagens – até a pilha acabar. Percorri os caminhos que faço para ir ao supermercado, ir à Baixa, resolver questões tão cotidianas quando emoldurar um quadro e comprar recarga para o celular. Aqui estão as fotos que se salvaram:
Av. Princesa Isabel maputense

Esses três prédios ficam ao lado do cinema, na Julius Nyerere. Eu chamei de “Avenida Princesa Isabel maputense”, mas, na verdade, ela é quase uma Visconde de Pirajá: tem ótimos restaurantes, alguns bares, dois dos melhores hotéis da cidade, escritórios, delicatessens, padaria…tudo que você pode precisar no dia-a-dia, tem na Julius Nyerere ou numa rua transversal. Cá está ela por outro ângulo:
Julius Nyerere

Seguindo pela Julius Nyerere, você acaba numa rotunda que dá para a Kenneth Kaunda:
rotunda

Essa avenida é conhecida como “a rua das Embaixadas” – é onde está a nossa, por sinal. A vista da rotunda é linda, para o mar da Baía de Maputo. Os dias por aqui, quase que invariavelmente começam com esse céu azulão aí. Eles andam ficando nublado, mas dizem que isso não é comum. Quase não se vê nuvens no céu de Maputo.

A Kenneth Kaunda fica no bairro de Sommerschield, onde existem muitas casas boas, construídas antes até da guerra civil de 1976:
Sommerschield

Descendo a rotunda, caímos na Avenida Marginal – que, obviamente, é a orla da cidade:
na Marginal

A Avenida Marginal, sentido Baixa, dá na 25 de Setembro, outra avenida onde tudo acontece:
25

É nela que está o Mercado Municipal e as antigas grandes empresas do país (muitas faliram, outras saíram do país durante a guerra).
esquina

Percorrendo a 25, fica nítido também a fase atual de Maputo: decadência e passado misturado com um crescimento contínuo e cada vez mais progressivo (embora num ritmo todo próprio).

Por aqui, você vê muitos prédios velhos…
...e velhos

…do ladinho de prédios novinhos em folha:
novos...

Para terminar, voltei pela Marginal no sentido Costa do Sol, onde fica o meu supermercado preferido. No caminho, um painel que acho lindo e que me lembra muito de Salvador:
"moçambicano não se define pela cor"

E também os clássicos varais vendendo capulanas e camisetas:
capulanas

Essa aí é a continuação da Marginal no sentido da volta (acho que ela muda até de nome por esses bandos):
costa do sol

Para terminar esse post dedicado todinho às perguntas de vocês, tiro uma dúvida que meu pai teve faz tempo: como o moçambicano médio, que não tem carro, se locomove?

Bem, de vez em nunca, você vê um ônibus de linha andando por aí. Mas o transporte mais confiável é o que eles chamam de “chapa”:
chapas

Sim, nada mais são do que nossas vans. Mas elas vão deixando pedaços ao longo do caminho e quase sempre transportam pessoas em pé. “Em pé”, na verdade, é sentado no colo de alguém (!!!). Mas isso é só um teaser. As chapas merecem um post só delas.

Restou alguma curiosidade? Não deixe de me falar!

Para quem gostou das fotos, lá no Flickr tem mais algumas.

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A cultura moçambicana, an passant

Tuesday, April 13th, 2010

Essa é a propaganda preferida do @jkmota na televisão moçambicana. Vamos combinar que é hilária, né?

Desde que chegamos, andei tentando consumir a cultura do dia-a-dia moçambicano: ouvir rádios daqui, ver canais moçambicanos, etc. etc. Por incrível que pareça, ler jornais é o mais difícil: na banca, eles estão sempre um dia atrasados (SEMPRE) e eu ainda não tenho endereço fixo para fazer assinatura. Dependo de achar gente vendendo no sinal.

TV também não é lá muita opção: os 3 canais nacionais que o hotel tem – a TV Moçambique, a Miramar (que é uma espécie de afiliada da Record) e a Televisão Independente de Moçambique (TIM) – possuem uma programação paupérrima. Os telejornais não são de todos ruins, mas para quem tem o tal padrão Globo de qualidade, realmente não se pode comparar:


Fica o parênteses de que essa reportagem é típica de Maputo – e os buracos são essas crateras mesmo que vocês vêem nas cenas aí.

A minha grande diversão são as propagandas, como essa lá de cima. Elas são bem produzidas e bem pensada – muitas grudam na cabeça como chiclete e, volta e meia, você pensa numa delas. Prometo postar mais quando tiver melhor acesso à internet.

A música moçambicana é uma atração à parte e uma delícia de descobrir. Apesar da presença firme e forte da música pop mundial (teve um dia que ouvi Lady Gaga CINCO vezes na mesma rádio), Moçambique tem muita música boa. Ou, melhor dizendo: Moçambique tem muito músico bom. Os vídeos que vi e o único show que fui até agora já mostram uma qualidade fenomenal. MAS…Moçambique também tem muita música trash. Não há mau humor que resista a 15 minutos no carro ouvindo hip-hop e rap moçambicano (que é tão ruim quanto o americano) – me divirto horrores. Aqui também toca muito Roberto Carlos, Bruno & Marrone, Ana Carolina…no karaoke que fomos no Gil Vicente, até “Pelados em Santos” você podia cantar!

Abaixo, três exemplos do que estou falando. Os dois primeiros vídeos são ótimos grupos (o primeiro foi o músico que morreu que comentei num post anterior) e, o último, um exemplo do que chamei de “hip-hop moçambicano”. Esse último, eu não tenho nenhum conhecimento sequer para dizer quem é, se faz sucesso ou não. Mas soa muito com as músicas que escuto na rádio.

Vou ficar atenta e posto divertimentos maiores em breve ;o)

Nanando no Gil Vicente

Cheny Wa Gune Quartet

Neyma – Xixlhamaliso / Te Amo

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A Mulher Moçambicana

Wednesday, April 7th, 2010

Hoje é feriado em Moçambique! Como feriado numa quarta não dá pretexto para road trip, vou só aproveitar para pincelar o porquê desse “Dia Nacional da Mulher Moçambicana”.

Sete de abril é o aniversário de morte de Josina Machel (1945-1971), uma guerrilheira moçambicana que foi casada com o Samora Machel, herói da independência do país. Ela nasceu em Inhambane, no sul do país e, vejam vocês, tem uma rua em Bangu (esse mesmo aí do Rio) em sua homenagem. Imaginem já quantas ruas, além do feriado nacional, ela não tem por aqui, né?

Josina lutou a vida inteira por direitos iguais entre homens e mulheres e foi esse seu principal papel na Frente de Libertação Moçambicana (FRELIMO), onde ela assumiu a chefia da Seção da Mulher em 1967. Ela abdicou de uma bolsa de estudos fora do continente e de uma vida possivelmente bem mais confortável do que a vida que a África oferecia na década de 60.

Morou a maior parte de seus anos de ativista fora de seu país – rotina comum para os que o Mandela chamava de “freedom fighters”. Presa aos 18 anos na Rodésia, atual Zimbábue, voltou para Lourenço Marques, atual Maputo, mas pouco depois se refugiou em Dar Es Salaam, capital da Tanzânia, onde passou praticamente o resto de sua vida baseada.

O século XX viu geração atrás de geração de refugiados na África, o que acabou criando um senso de unidade continental muito positivo, sobretudo entre os negros. Movimentos de diversos países tiveram importâncias fundamentais em processos de independência de vizinhos. A própria luta contra o Apartheid, por exemplo, foi muitas vezes financiada por países como a Rodésia/Zimbabue, já que a comunidade internacional por muito tempo deu de ombros.

Josina Machel morreu em 1971, em plena guerra, mas é considerada uma inspiração para o movimento feminino e para a luta pela libertação de Moçambique. Seus papéis de feminista e de estrategista militar foram cruciais na elaboração de uma plataforma política que promovia os direitos iguais entre os sexos dentro da na FRELIMO. Após a independência do país, em 1975, o dia de sua morte esse feriado hoje desfrutado por cerca de 20 milhões de pessoas. =)

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Bilene

Tuesday, April 6th, 2010

da pousada

Bilene é uma lagoa e uma praia há cerca de 140 quilômetros de Maputo. Foi também nosso primeiro road trip!

A EN1 – estrada principal de Moçambique que cruza o paí – até Bilene está em ótimas condições. Fora um baita trânsito para sair de Maputo, não tivemos nenhum problema – na ida. Já já conto da volta, mas antes, o pouco se que pode falar sobre a lagoa/praia – já que o bom mesmo é ir lá curtir e relaxar:

A lagoa de Bilene é onde a maioria das pousadas fica e é uma delícia para um fim de semana de sombra e água fresca. Uma boa vantagem em terras moçambicanos é que nada, nunca, fica lotado. Mesmo em fim de semana de feriado sul-africano (ontem foi “Family Day” lá), acho que o número de pessoas que se espalhavam pela lagoa e pela praia não passava das dezenas.

A lagoa dá pé em quase todos os pontos (mesmo lá no “meião”) e, se você não tem frescura com algas e chão com lodo, pode ficar o dia inteiro curtindo um mar calmo, sem ondas e uma água morna deliciosa.

Para se chegar à praia de Bilene, é preciso ir de barco – nada que você demore mais de 5 minutos para achar, perguntando na recepção da sua pousada. Também não é nada que se demore mais de 20 minutos para atravessar.

Na praia, o mar é mais forte, com ondas e fortes correntezas. Dizem que na praia da Tartaruga (para quem chega à praia pela lagoa, basta virar à direita e ir andando até as piscinas naturais), dá até para pegar carona em algumas delas. Mas não conseguimos ir conferir se era verdade porque o canal para a lagoa estava aberto e a correnteza estava muito forte para passarmos nadando. O canal fecha na maior parte do ano, então fica para a próxima ida!

Nossa volta, domingo logo depois do almoço, tinha tudo para ser tranqüila. Mas nos primeiros 13 quilômetros, a caminhonete em que viajávamos sofreu uma inesperada perda e por lá ficamos até conseguirmos ajuda de amigos que salvaram o dia. Outro sustinho que virou só história para contar =)

Fikdik: Hospedagem em Bilene – Complexo das Palmeiras +258 282 59019
Quartos com banheiro e cozinha ou camping. Também é o melhor restaurante da cidade!
Como chegar: nem o Google Maps tem os detalhes de Bilene, mas o pessoal da pousada botou um mapa simples e fácil aqui. Chegando lá também, está cheio de placas, não tem preocupação.

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Celebra Nanando

Monday, April 5th, 2010

celebra Nanando

Gil Vicente Café Bar
Avenida Samora Machel 43 (ao lado do cinema Gil Vicente)
+258 821531020

Quinta passada, eu e @jkmota fomos tirar o Gil Vicente da teoria e tivemos uma noite sensacional.

O bar tem um clima ótimo que já dá para sentir na entrada: público de músicos e artistas, que na quinta estavam em peso, pois o show da noite foi uma homenagem ao Nanando, guitarrista lendário de Moçambique que morreu recentemente vítima de um infarto. A performance foi por conta da banda do Nanando, com o guitarrista aprendiz do falecido. Intenso e bem produzido, foi um programa inesquecível.

Palco pequeno e poucas mesas contribuem para o clima “entre amigos”. E parece que todo mundo é meio amigo mesmo, já que a maioria é freqüentador assíduo do bar.

O Gil Vicente tem uma programação intensa toda semana, como bem nos deu a dica o Leo Mello aqui no blog: karaokê às terças, show ao vivo às sextas e jam sessions aos sábados. Obrigada ao Leo também pela dica da quinta e pelas cervejas! =)

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