Archive for June, 2011

jambo, tanzania!

Thursday, June 30th, 2011

overview

Acho que todos sabem ou imaginam que viajar na África não é nada prático, né? Nosso primeiro dia de férias foi experimentando o lado *gostoso* dos aeroportos e vôos africanos. Já adianto que até minha amada South African Airways me decepcionou – mas isso é papo para outro post.

Chegamos em Dar-Es-Salaam correndo, fizemos a maior pressão na burocrática entrada no país (se você tiver oportunidade de tirar o visto antes, invista!), corremos loucamente pelo aeroporto labirinto e…vôo cancelado. ¬¬

“Oi??” “Esse vôo de vocês foi cancelado e vocês foram transferidos para o vôo seguinte, daqui a 3 horas”. Chá de cadeira desavisado é sempre uma delícia, né?


Uma das 7 marcas de cervejas da Tanzania que provamos no aeroporto de Dar e minha charmosa blusinha furada


Fikdik! E não foi a única vez na viagem que a Precision Air mudou o horário do nosso vôo, então não deixe de confirmar os vôos dessa companhia na véspera, seja por telefone ou ao vivo – fizemos isso na volta e vimos uns gringos quase se ferrarem porque não fizeram o mesmo.

Sorte é que minha mega-ultra-blaster pesquisa de mais de um mês atrás da companhia de safari certa vingou e nosso motorista estava lá bonitinho esperando a gente mesmo com as 4 horas de atraso na chegada – e ele já tinha avisado ao hotel que segurou todo mundo na cozinha e serviu um banquete para a gente mesmo já sendo para lá de 23h:

Todos os hotéis e o roteiro que fizemos foi proposto pela Tanzania Adventure, a tal companhia que achei mais confiável depois da mega-ultra-blaster pesquisa de mais de um mês. Fiz críticas de todos os hotéis lá no TripAdvisor.

Se você tiver pensando em ir para a Tanzania, pesquise muuuuuito e orce com muitas empresas antes de fechar. Nós saímos de um absurdo inicial de US$ 3.400 por pessoa para US$ 1.700 por pessoa – quer dizer, literalmente metade. Esse preço aí é pacotão completo: hotéis, carro, motorista, refeições e água para o dia todo.

Nosso primeiro dia foi no pouco falado – mas surpreentemente incrível – Lake Manyara:

grazing

Fomos na época de seca, o que significa que (1) onde tem água tem animal, então achá-los fica mais fácil; (2) tudo está menos verde e menos florido, o que pode parecer ruim, mas dá um climinha extra à savana; (3) andar offroad é mais fácil e (4) os flamingos (que era uma das coisas que eu mais queria ver) ficaram longe a viagem toda :o(

flamingos

Mas nem por isso o dia foi ruim…

esperto

Quem ficou sedento por mais, as fotos todas do primeiro dia já estão lá no Flickr :o)

Amanhã conto de Serengeti!

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sneak peak

Tuesday, June 21st, 2011

Aviso logo: vou tentar, mas a Tanzânia é indescrítivel.

easy life

Por lá, a gente…

…sentiu-se num programa do Discovery

endless plain

…pulou na cratera de um vulcão



…aprendeu um pouco de swahili



…conheceu o povo massai

massai

…perdeu-se na história de Zanzibar

indian door

…e passou dias e dias sem fazer absolutamente nada…

hakuna matata

…bem do jeito que férias devem ser.

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guest post: a salvação está nos blogs

Thursday, June 16th, 2011



Escolher alguma coisa, sempre pressupõe deixar outras de lado. Vir para a África não é diferente. Uma das coisas que deixamos quando saímos do Brasil para cá é a informação em tempo real, precisa e em quantidade. Percebi isso já quando comecei a fazer pesquisas sobre o país pela internet, antes mesmo de chegar aqui. Difícil. Os sites oficiais são pouco atualizados, são poucos os jornais que circulam por aqui que têm site e as empresas não têm esse hábito.

Mesmo assim, encontrei algumas informações na internet. Em que endereços? Nos blogs. Pessoas que resolveram abrir um espaço de seu tempo para contar suas experiências e acabam para contribuir com a divulgação do país mundo afora.

Já morando aqui, resolvi ter o Mosanblog, com o intuito de contar para os amigos e familiares o que se passava conosco. Logo percebi que o meu blog poderia ser mais do que isso e agregar informações mesmo a quem eu não conhecia, como aconteceu comigo antes de vir para cá.

Então, passei a me preocupar mais com questões como endereços, horários de funcionamento dos serviços públicos e estabelecimentos comerciais, preços, enfim, tudo que pudesse ajudar as pessoas a conhecerem mais o país e tirarem dúvidas sobre o cotidiano. Com o tempo, descobri outros blogs muito interessantes, com o mesmo perfil. De certa forma, todo mundo que vem para cá acaba contribuindo, por meio de seus blogs, com dicas e informações que os próprios sites oficiais não trazem.

Uma das coisas divertidas nesses passeios internéticos é ver que o mesmo assunto é tratado em diversos blogs, com abordagens diferentes, afinal, cada um tem a sua visão do assunto e isso contribui para a informação ficar mais completa para quem lê.

E é legal também ver a grande rede de blogs de brasileiros que tem se formado por aqui. E, como o blog da Nhatinha tem bem esse perfil de contribuir sempre com muita informação e prestação de serviço, não vamos fugir à regra. Aqui vai uma lista de blogs bacanas, com diferentes características, onde se pode encontrar um pouquinho de tudo que temos em Moçamba:

_Madeinmaputo: um casal animadíssimo conta sua experiência nada monótona por terras moçambicanas;
_ElefanteNews: tem o perfil mais informativo, porque é escrito por um jornalista brasileiro;
_Viagens da Iris: muitas e divertidas aventuras Moçambique afora, contadas, estranhamente, às vezes em português e às vezes em inglês;
_Na ponta do lápis: Maputo pelos olhos de um adolescente brasileiro;
_Critical Mass.Maputo: gente apaixonada por bicicleta, de vários lugares do mundo, que se reúne na vida real para passeios e online para contar como foi e onde vai ser.

- – - por Sandra Flosi, do Mosanblog, que mora em Maputo há pouco mais de um ano

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guest post: cheiros

Tuesday, June 14th, 2011



E ai minha gente, beleza?

Esse post é um post na verdade bem antigo, eu escrevi ele faz uns 6 meses, no mínimo, mas deixei ele guardado para quando eu achasse que fosse a hora de falar sobre aspectos culturais. Queria saber se minha teoria, meus argumentos e relatos contidos aqui faziam sentido tempos depois de eu escrever.

Uma das coisas que me intrigou muito durante meu tempo por aqui em Tete foi em relação a questão de cheiro do cheiro das pessoas. Aqui em Tete, o sol escandante faz as pessoas com que cada pessoa “apresente” o seu cheiro natural a força, o que muitas vezes pode cheirar estranho para narizes desprevinidos, acostumados apenas com perfumes (como o meu).

Isso é sempre um assunto delicado para se falar, mas eu realmente queria entender o motivo das coisas serem como elas são. Admito e sei que é um assunto delicado de se abordar, mas quem me conhece sabe que eu não tenho problemas com isso, e que quando escrevo sobre Moçambique é apenas a minha percepção de diferenças entre as culturas e as pessoas enquanto vivendo aqui neste país.

Eu sempre acho que todo comportamento, característica ou aspecto cultural sempre tem uma explicação e prometi para mim mesmo que se eu descobrisse o motivo que levava as coisas serem assim aqui, eu iria explicar para o pessoal.

Conversando com algumas pessoas daqui, em especial pessoas que estão muito ligadas a cultura e ao povo de Moçambique, por trabalharem diretamente com a população das vilas e povoados, cheguei as mais diversas explicações para tudo e eu vou listar abaixo.



O ser humano naturalmente exala cheiros, dos mais diversos tipos. É comprovado cientificamente que o próprio cheiro exalado animais ou homens e mulheres é responsável por uma parcela da atração entre os seres humanos. Homens e mulheres sempre exalaram cheiros dos mais diversos tipos, porém, com a evolução dos povos, começou-se a criar perfumes, desodorantes e coisas do gênero que abafaram o cheiro natural das pessoas. Hoje o que a gente sente do cheiro das pessoas não é mais o natural, é apenas um cheiro de perfume feito baseado em alguma coisa e nós apenas nos acostumamos com isso.

Aqui na África, as mudanças sócio-econômica não foram todas para o mesmo lado que os nossos países foram. Aqui, muitos países e pessoas ainda vivem sem tecnologia e sem essas grandes mudanças que tivemos na sociedade. Tanto que aqui grande parte da população ainda vive em ambientes rurais, vivendo exatamente como nossos ancestrais, vivendo de agricultura e trabalhando não por dinheiro, e sim, vivendo de trocas de produtos. Além de em muitos lugares, como onde eu vivo (Tete), nessas zonas mais rurais, ser muito comum ainda a poligamia por parte do homem (algo que na nossa sociedade é extremamente condenado).

Mas voltando ao assunto de cheiros que estavamos falando antes…

A evolução e o desenvolvimento está chegando na África, e isso está fazendo as pessoas saírem das vilas e povoados para começar a trabalhar nas cidades, de maneira a ter um emprego e gerar mais dinheiro para comprar as outras coisas e necessidades que estão surgindo junto com esse “desenvolvimento”. Porém, o povo continua morando nas vilas, mas vão maiores centros a trabalho.

Na África, água de qualidade ainda é um bem caro e de acesso a poucos. Nós brasileiros aqui em Moçambique vivemos tomando água mineral, porém grande parte da população ainda vai a rios pegar a água que terão em casa. Ou seja, muitas vezes a água que eles tem, é só a água que eles conseguem carregar de um rio qualquer em algum balde ou pote até suas casas, e muitas vezes esses rios estão a KM de distância de suas casas, chegando muitas vezes a até 20km. Ah, e para explicar melhor, muitas dessas pessoas tomam banhos exatamente nesses rios e depois voltam para suas casas/trabalhos.



Aqui temos o primeiro ponto. As pessoas além de não terem dinheiro para comprar água, elas tem que caminhar diversos km apenas para ter acesso a elas ou ir trabalhar. A coisa mais natural do planeta é suar, né? Se as pessoas nem tem acesso simples e universal a água, como elas vão ter acesso a um desodorante/perfume? Isso é um bem de luxo aqui. LUXO MESMO.

A água que o povo tem acesso é usada para coisas “realmente” importantes. Alimentação em especial. Levem em conta também que aqui tem muito problema com cólera. Isso explica muita coisa, né?

Agora vamos levar a outro ponto. Lembrem da questão que eu falei do cheiro atrair as pessoas? O pessoal aqui sabe que esse é um cheiro natural do corpo e ele é criado por algum motivo. O perfume é um cheiro artificial, o cheiro do ser humano não é esse por tradição. Inclusive, fiquem sabendo da maior. Na cultura antiga daqui e que ainda é vivida por muita gente, o cheiro de perfume é um cheiro que LEMBRA A MORTE.

Não entenderam? Pois bem, os perfumes que usamos lembram a morte pois eles lembram o cheiro de flores, e flores é o que se coloca em tumba para os mortos. Então cheiro de flores é associado a morte.

Ou seja, quando nós estamos cheirando a perfume, estamos cheirando a morte. Incrível, não?

Além disso, muitas das mulheres identificam seus maridos pelo cheiro, ora, como qualquer pessoa. O cheiro do corpo lembra o homem e aquilo causa a atração, o tesão pela outra pessoa amada. Existem histórias que ouvi conversando com o pessoal e que eu não sei se são verdade por isso leiam apenas como um relato ou “conto” e não uma realidade absoluta.

Houve uma época em que algumas pessoas internacionais, que trabalhavam com algumas pessoas nativas, reclamaram do cheiro forte de alguns colegas e por isso foi conversado com os nativos e solicitado a possibilidade de que deles tomassem banho antes e depois de virem trabalhar para evitar esse problema.



E aconteceu, mas alguns dias/semanas muitas esposas dessas pessoas vieram reclamar que não sentiam mais o cheiro de seus homens, elas não conseguiam o identificar mais pelo cheiro. Algo estava faltando. Elas perderam a atração/tesão pelos seus próprios maridos.

Uma vez um brasileiro falou para algum local que ele considerava que estava fedendo e orgulhosamente a pessoa respondeu assim:

- Isso é cheiro de HOMEM!

E não é? É a natureza agindo como deveria. Quem somos nós para contestar isso?

Ou seja, é algo com muito mais embasado do que a gente pensa. Desrespeitar isso é desrespeitar algo profundo, cultural e local.

Gente, o meu intuito com esse post, é apenas dar uma visão diferente e mais profunda para esse aspecto que é muito comentado pelo povo que vem de fora para morar aqui na Província.

Eu, sinceramente, como uma pessoa acostumada a usar desodorante e perfume pela sociedade/cultura a qual eu fui criado, eu não conseguiria ficar sem, eu não estou acostumado com isso. Porém mesmo não gostando do cheiro, eu respeito e entendo isso como algo muito mais profundo do que pensamos e que não deve ser comentado com uma crítica superficial de alguém que é de longe e vive uma cultura diferente.

Tudo isso que eu escrevi é claro, não se aplica as pessoas que potencial aquisitivo diferente da população de baixa renda, pois estes tem acesso a água e tem condições de comprarem estas outras “luxurias”. Além disso, o próprio ambiente que eles vivem, é diferente da população simples, é basicamente um ambiente com o que nós, de fora, está acostumado. São percepções diferentes e preocupações diferentes.

Isso se destaca aqui por que, infelizmente, essa parcela da população que tem essas condições melhores é a grande minoria, GRANDE MINORIA MESMO. Estamos falando aqui de uma parcela da população que vive perto da linha da pobreza. É algo que para quem não está aqui para ver e sentir, não consegue entender o que é pobreza e simplicidade de verdade.

Porém as coisas tendem a mudar. Com esse monte de gente mudando para cá, uma nova ordem e novos aspectos culturais são adicionados a atual cultura local. Há de se encontrar um denominador comum onde se agradam gregos e troianos. O ambiente empresarial (in)felizmente faz que certas coisas mudem… Se isso é bom ou ruim? Bom, depende de tantos fatores que acho difícil chegar a um veredicto.

Como eu sempre digo, vivendo e aprendendo. Ou, tudo sempre tem uma explicação. Quanto mais vivo aqui na África, mais eu aprendo e entendo que coisas que muitas vezes parecem não fazer sentido na primeira vista, tem uma explicação bem lógica e cultural ao estudada a fundo.

E eu adoro quando isso acontece.

- – - por Tiago Maciel, do Dots Connected, que mora em Tete há um ano.

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guest post: primeiras impressões

Thursday, June 9th, 2011

As primeiras percepções de um recém chegado em qualquer lugar podem ser errôneas, exageradas, simplistas demais, reais, divertidas e por sorte, alteradas como o passar do tempo. Minha visão sobre o continente africano, Moçambique, Maputo é assim, mas para quem se deparar com uma viagem, dessa todas as versões são válidas!


Entardecer em Maputo

Com um pouco mais de 1 mês de Moçambique já posso ao menos contar algumas diferenças, choques, descobertas bacanas e aventuras por Maputo.

A primeira coisa é: morar é diferente de simplesmente viajar. Óbvio não? Na prática nem tanto. Meus olhos são de turistas em todos os primeiros momentos, depois passo a perceber as coisas ao meu redor como “isso agora fará parte do meu cotidiano, do meu lar” e faz uma diferença danada.

O segundo item bacana são os 5 sentidos. Como eles ficam aflorados e ativos!

Visão: Ah… as cores africanas… Seus olhos poderão ficar histéricos de tantas cores para apreciar, frutas, mulheres e suas capulanas pelas ruas, batiques, artesanatos em geral. Mas aqui também se vê a simplicidade e a pobreza, ainda não fui para os locais mais afastados mas já vi cenas que me lembraram os Discovery Channels da vida.


As cores dos Batiques

Olfato: Esse junto com o paladar faz um estrago na vida de qualquer pessoa! A culinária daqui é muito bacana, apesar de eu ter ido em pouquíssimos lugares. O melhor camarão que comi na minha vida foi aqui. No Mercado Central, ao passar pelo corredor de temperos quase pedi um autografo para as vendedoras moçambicanas! Que aromas divinos, comprei caril! Mas nem tudo são flores, o olfato também sofre com os cheiros desagradáveis… e como eles estão presentes no dia-a-dia, viu.


Os aromas do Mercado Municipal

Tato: você fica querendo tocar em tudo pra saber se é igual e se for algo jamais visto, você quer dobrar, amassar, sentir! Toquei árvores, as famosas capulanas, os locais em si e isso é muito revelador. Só não toquei o que tinha placa para não tocar, fique atento! Rsrs…

Audição: Quem nunca ouviu um batuque? Se não ouviu, trate de ouvir! Sempre gostei da batucada brasileira, e também sempre soube que meu povo nesse sentido foi muito influenciado pelos africanos, aqui estou ouvindo os batuques originais! Musicas típicas e antigas me agradaram muito, me fazem me sentir na África, mas tem os hits novos também, alguns confesso que estranhei ou achei engraçado. Os ruídos da rotina estão mais intensos, ouvir o português e a xangana me espantam sempre! É, o português daqui para mim soa muito mais para o “portuga” de Portugal. Além disso, da minha janela ouço muitos rituais muçulmanos e isso é extremamente diferente e novo!

Paladar: Viajar e experimentar nos liberta. Um dos maiores desafios é a culinária, ter que comer por uma semana algo diferente por conta da viagem de férias é uma coisa, morar e ter que se acostumar com a comida do lugar, é outra. Mas a comida moçambicana é ótima! Preciso comer mais pratos típicos para opinar melhor, mas a matapa, as amêijoas, os camarões, o caril já estão me convencendo de que minha dieta por aqui será maravilhosa! Achei que seria difícil fazer as compras do mês… que nada, há mercados ótimos, a única coisa é que você nunca conseguirá achar tudo no mesmo lugar. Depois de uns 4 lugares sua compra estará 100%, nada terrível pois tudo é muito perto.


O sabor da Amêijoa

Em resumo, qualquer experiência conta desde que você esteja aberto ao novo e sem frescurinhas, aqui se adaptar é necessário mas nada gritante.

- – - por Sâmela Silva, que mora em Maputo há quase 2 meses.

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guest post: as africanas e suas capulanas

Tuesday, June 7th, 2011



No dia que fizemos o Treinamento Multi Cultural, uma espécie de preparação para os funcionários da empresa do meu marido que estavam vindo trabalhar em Moçambique, o profissional que nos atendeu perguntou qual era a primeira coisa que vinha na nossa cabeça quando a gente pensava em África. Respondi que eram as cores e aqueles panos lindos e coloridos. Ele sorriu dizendo que a minha visão era muito romântica. Imagino que ele deve ter ficado bastante preocupado com a minha adaptação!!!



Como designer e apaixonada por estampas, eu sabia o que estava por vir! De cara me encantei com a imagem daquelas mulheres “montadas” com seus panos. E hoje, 7 meses depois, ainda tenho o mesmo olhar de fascinação. Considero-me uma felizarda de conviver tão de perto com uma tradição que sabe-se lá quanto tempo vai durar!!!



Nas minhas pesquisas vi que as capulanas surgiram no século XIX, quando as mulheres começaram a comprar lenços de tecido de algodão estampado e colorido, trazidos pelos mercadores portugueses do Oriente. Essas estampas escondem costumes, além de, claro, muita história. Elas podem ser símbolo da riqueza de uma mulher, podem ser presente de um genro cortejando sua filha, ou mesmo de algum homem a cortejando (estas capulanas são “especiais” e podem ser guardadas para uma ocasião especial!). Os lindos panos também são usados em rituais e eu fico aqui pensando que muito tempo é pouco para saber de tantas tradições que existem por aqui!



As capulanas também são responsáveis por um vínculo forte entre as mães e suas crianças. Absolutamente todas as moçambicanas amarram seus filhos nas costas! É muito comum ver essa cena por aqui!!! Lá vão elas para suas atividades do dia com aquele bebêzinho pendurado onde a gente só vê aquelas perninhas fofas, e os rostinhos, sempre quietinhos e serenos! E é incrível a habilidade delas – abaixam, levantam, correm, carregam peso, como se aqueles pequeninos não estivesses ali. Parece que fazem parte delas!!!



E eu sigo fascinada nessa passarela a céu aberto onde desfilam as africanas e as suas capulanas!!!!

- – - por Renata Vidal, do Made in Maputo, que está em Maputo há 8 meses.

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problem free philosophy

Saturday, June 4th, 2011



Vou ali me juntar a eles e volto já. ;o)

Nesse meio tempo, I’ll get by with a little help from my friends que me presentearam com ótimos guest posts a serem publicados nos próximos dias.

Hakuna Matata, galera!

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fazendo as malas

Thursday, June 2nd, 2011



Sempre gostei de viajar (tem alguém que não?) e, desde que vim para cá, viajar se transformou numa obsessão. A gente provavelmente viaja mais do que fica em casa e só para por exaustão.

Fazer mala é uma arte e minha mãe me ensinou técnicas sagradas para ser eficiente e prática – sim, sou daquelas pessoas que enrola tudo para deixar mais espaço para a necessaire e que sempre tem um remédio de piriri para emergência.

Por aqui, a mala tem lá suas particularidades. Aí vão algumas coisas que transformei em regra nesse último ano em África:

Use repelente local
Repelente é indispensável para quase todos os destinos africanos, sobretudo por causa da constante ameaça de malária. Se você está vindo de fora do continente, deixe para comprar o repelente aqui – a maioria dos repelentes brasileiros não mantêm longe o mosquito da malária e não vão adiantar. Em qualquer cidade ou aeroporto de pelo menos médio porte, você acha bons repelentes a preços camaradas; o mais usado e conhecido é o Tabard. Se você não tiver tempo em nenhuma cidade e tiver escala apertada para o destino final, pode investir no Exposis ou algum repelente igualmente robusto (e caro) disponível no Brasil.



Não tem jeito, repelente não basta…
Pois é. O horário mais crítico da malária é da meia-noite às seis da manhã, sabiam? E o motivo é muito básico: o mosquito não dorme, mas você vira e desvira na cama…deixando todo seu repelente no lençol! Muita gente tem aquelas mosquiteiras que podem ser penduradas em quase qualquer quartinho. Mas eu tento minimizar tudo então vou na solução tóxica mesmo: levo sempre um baygon spray. Escolha sua alternativa preferida.

Não se iluda: na África também faz frio!
Só para vocês terem noção, a previsão em Joburg hoje é de mínima de 3o…Mesmo se seu destino for perto da linha do Equador, dê aquela conferida na previsão do tempo, você não vai se arrepender. E, por favor, jogue um casaquinho lá dentro antes de fechar a mala!

Não subestime a utilidade de um bom tampão de ouvido
Se tiver com sono suficiente, durmo numa boate. Mas bota um mosquitinho no meu quarto…E daí eu, que nunca achei que precisaria de um acessório desse tipo, agora não viajo sem.



Sempre leve uma toalha
Vai dizer que você nunca leu o Guia do Mochileiro? :oO

Brincadeiras à parte, se estiver viajando fora da África do Sul (onde a qualidade dos lodges costuma ser excepcional) ou para um hotel que você nunca ouviu falar na vida, não pense duas vezes antes de botar uma toalha na mala. Queria eu ter tirado foto de algumas das toalhas que já vi por aí para meu ponto ser devidamente reforçado…

Muda extra de roupa e kit emergencial de higiene na bagagem de mão
Essa é dica de quase todo viajante experiente – você nunca sabe quando vai ter o azar de sua mala se perder entre escalas – mas, antes de dispensar essa, pense que uma coisa é ficar sem sua roupa íntima em Paris, com uma H&M a cada esquina, outra, é sua mala não chegar com você no Kruger Park.

Confira limites de bagagem
As linhas aéreas africanas operam muito através de parceria – só porque você comprou um bilhete até Maputo pela South African, a cada escala e você pode se pegar tendo que deixar coisa para trás na ida ou na volta. Despachar a mala para o destino final é sempre a melhor opção.

E vocês? Alguma regra sagrada na hora de fazer a mala?

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