meditando na tailândia (parte II)

Os primeiros dias do retiro foram de aprendizado das técnicas de meditação – era um retiro para iniciantes, grupo no qual me incluo até hoje.
Minha experiência com meditação tinha sido limitadíssima até então: dez ou quinze minutos algumas vezes por semana e durante zonas de turbulência em voos (tenho pânico de avião).
E daí me vem o monge Kawi e bota todo mundo de cara para ficar QUARENTA minutos praticando as técnicas que ele acabou de ensinar.
Foi bem um sketch de filme: respirei fundo, fechei o olho e me concentrei…Hm. Ok, foco na respiração. Foco….foco…ai mosquito chato. Será que posso levantar a mão para espantá-lo? Claro que não, né, Renata, meditação, duh. Foco. Foco….foco….será que eu fui maluca de deixar meu mochilão lá com a menina que conheci ontem? Caceta, vou me….foco, Renata! Affe! Foco. foco….
E por aí vai.
Depois de um tempo, você consegue, invariavelmente, entrar no espírito da coisa. Afinal, você está no meio das montanhas na Tailândia, num lugar milenar, rodeada de budistas. Absorvi tudo da melhor maneira que pude, mas não adianta: meditação vipassana ainda não é comigo.

Alguns dias depois, o monge dividiu a gente em grupos menores para perguntar como foram as meditações para a gente, ouvir nossas dificuldades e dúvidas. Contei que ficar parada não é um problema – meus joelhos não doem, a dor nas costas é quase nula e não fico com sono. Mas os pensamentos…eles vem, ficam, perturbam, me irritam e, quando vão embora, é só para dar lugar para outros. Falei que, meditando, quase nunca vem sentimentos bons, felizes – só perturbações, mágoas, críticas ao mundo e a mim mesma.
A resposta dele, como as respostas de monges sempre são, foi simples e incisiva: “hm. Sua alma ainda está inquieta para a meditação profunda. Paciência é sempre a solução”.

Uma das coisas que mais gostei no monge Kawi é seu pragmatismo que, por sinal, é muito característica do budismo. Depois dessa declaração profunda e filosófica – que, em outros tempos só me faria revirar os olhos – ele simplesmente emendou em dicas claras: mude de técnica (ele me mostrou várias alternativas) e pratique o máximo que puder.
No fim, se descobrir, olhar para dentro e fazer uma autoavaliação não escapa de ser um trabalho lento e progressivo – como tudo de substancial na vida tende a ser.

Ao longo do retiro, contei para o Kawi que sou ateia. Gosto da filosofia budista, mas não acredito em reincarnação e medito para mim mesma – carregava uma culpa de achar isso um pouco egoísta e hipócrita já que o budismo, por mais tolerante e aberto que seja, é uma religião também.
A resposta dele? “Se todo mundo for egoísta ao ponto de olhar para dentro, se melhorar e contribuir positivamente para o mundo, nossas comunidades serão pacíficas e melhores. Isso não depende de crença religiosa – nem deve. Continue no seu caminho.”

Certa hora, entre sessões, estava sentada sozinha num escada olhando o horizonte enquanto o resto do grupo tomava chá e papeava. Nem senti o monge se aproximar – quando me dei conta, ele estava do meu lado, sentado e rindo da minha cara.
“Não pense demais. As pessoas pensam muito sobre suas vidas e sobre o futuro ao invés de focar no presente. Nós podemos ser gentis e felizes agora. O futuro, só podemos mudar quando chegar, não adianta gastar tempo com o imprevisível”.*
Or something like that. :o)

*A citação literal, lembro bem, foi: “Don’t overthink. People think too much about their lives and the future instead of focusing on the present. We can be kind and happy now. The future, we can only change when it comes. No use in trying to foresee what’s impredictable.”
Tags: 2012, Ásia, Chiang Mai, Tailândia, volta ao mundo







December 12th, 2012 at 2:58 pm
Amei os conselhos do monge, e concordo plenamente com o que ele disse.
A vida é aqui e agora!
Muitos beijos
December 12th, 2012 at 3:46 pm
Adorei Rê!!!!
vou copiar e guardar o que o monge disse para vc, sobre “overthink”!!!
faço muitoo isso!!!!
vamos viver o presente!!!
beijao queridona