camboja II: as ruínas de angkor

rise & shine

Estou tentando escrever qualquer coisa sobre Angkor Wat desde que saí de lá e nunca deu em nada que achei bom. Como diriam os moçambicanos, sorry lá! Vai assim mesmo.

Angkor Wat é o complexo das ruínas que sobraram do grande Império Khmer.

funky towers

A majestade das ruínas de Angkor me pegaram totalmente de surpresa. Fui desavisada, como quem tivesse ali dando um rolé qualquer pela área.

Untitled

Mas é de cair o queixo. Não sei se, mesmo preparada, conseguiria deixar de me emocionar. O Império Khmer data de antes do ano 800 d.C. Como assim quando a Europa não era NADA isso tudo já tinha sido construído??

Saí de lá com vontade de comprar livros e mais livros sobre a história antiga do Sudeste Asiático.

Mas não recomendo visitar tudo em dias seguidos. Chega uma hora que, por mais bonito que seja, tudo fica muito igual e tem um limite de informação que é produtivo digerir por dia.

yellow

No primeiro dia, contratamos um tuk-tuk com guia para descobrir mais sobre a história…

faces

Pfff. Até parece! A gente contratou o tuk-tuk porque não existia a MENOR possibilidade de eu sair às 4h da manhã de bicicleta por aí para ver o nascer do sol num lugar que ficava há uns bons 10km do hotel.

Mas a gente achou mesmo que o guia ia ser legal para saber mais da história e dos lugares que iríamos nos dias seguintes.

Zeca, meu companheiro de aventuras cambojanas, rapidinho cansou do inglês lento e tedioso dos nossos guias…

Zeca

E devo confessar que as melhores horas desse dia foram o café da manhã e o almoço com a dupla: eles pediram coisas típicas para a gente em ambas as refeições e conversamos muito sobre a vida atual deles e o que eles viveram da história do Camboja (quando ambos nasceram, o Pol Pot ainda era ditador).

tomb raider

Nos outros dois dias, pedalamos e aproveitamos para ver os templos mais distantes – e, sem dúvida alguma, essa é a melhor forma de descobrir Angkor.

argonath feelings

Desses dias que passeamos pelas ruínas, senti a imensidão do mundo no coração. E uma sensação repetida, que tive no Egito, de longevidade só por fazer parte da civilização humana.

Quantas coisas grandiosas somos capazes de fazer, viu?

lost temple

E se a gente cismasse de, juntos, fazer algo muito bom para todo mundo? Sei não, podia até dar pé…

lost souls

Para quem quiser ir:
- A melhor coisa que fiz foi ir na baixa temporada. Li muitos relatos sobre como fica muito cheio e quase impossível ter paz nos principais templos durante as altas temporadas. Senti isso em pouquíssimos momentos – e esses momentos quase que exclusivamente se deram porque um grupo chinês apareceu no caminho. E um grupo chinês nunca – NUNCA – pode ser de pouca gente.

- Mas, se fizer o mesmo, tenha mais tempo: perdi quase metade de um dia presa num metro quadrado coberto de um templo por causa de um pé d’água surpresa.

- O consenso parece ser que comprar o passe de três dias é a melhor opção. Mais que isso, só se você tiver com bastante tempo de ficar por lá e puder descansar bastante entre as suas idas. Explicadinho aqui, o esquema de passes do complexo – foi onde achei a informação mais bem esmiuçada, mas tem um errinho: os passes podem, sim, ser usados em dias não-consecutivos, ao contrário do que diz no link (de resto está tudo certinho).

- Sou uma das piores pessoas que conheço para acordar cedo, mas não se pode, de maneira alguma, perder o nascer do sol em Angkor Wat.

- Já o pôr do sol em Phnom Bakheng é supervalorizado a não ser que você esteja aproveitando aquele bônus por ter comprado o passe depois das 17h. Se não, suba somente se já não tiver pedalado o dia inteiro.

- Sempre tenha muita água e repelente. Mata úmida e verão bombante a maior parte do ano.

- Não deixe de se cobrir: as ruínas são sagradas e, embora o esquema seja bem flexível, tem lugares que não vai ter jeito – se tiver de ombros ou joelhos de fora, não vai entrar. Quer dizer, até vai, mas terá que morrer em uns bons dólares (alugando blusa ou lenço) por ter esquecido o respeito em casa.

- Vá de bicicleta! Mesmo que você intercale com um ou outro dia de tuk-tuk, o clima é outro, garanto.

- E me perdoem por desmistificar a experiência, mas duas cenas clássicas do cinema blockbuster passaram pela cabeça em alguns momentos das pedaladas por Angkor: a entrada do Jurassic Park e o Aragorn chegando em Argonath (na verdade, pensei na descrição do Tolkien, mas acho que a cena do filme transmite bem a majestade do momento). Essa cara de olhos esbugalhados e queixo caído foi exatamente a que eu fiz quando entrei em Ta Prohm pela primeira vez.

- Não enlouqueça querendo dar conta de todos os templos – até porque, como já falei, uma hora fica tudo igual. Vá com calma, leve ou compre frutas para um piquenique e não deixe de ter um bom livro na mochila. A paisagem é para ser apreciada, não conquistada.

Post to Twitter Post to Facebook

Tags: , , , ,

2 Responses to “camboja II: as ruínas de angkor”

  1. Mari Campos Says:

    Só uma palavrinha: sensacional! As fotos estão divinas.

  2. Camila Navarro Says:

    Adorei a dica de levar um livro na mochila! Já estou me preparando psicologicamente para enfrentar o calor sudeste asiático e pausas para leitura com certeza deixarão essa tarefa mais fácil. Mas o que mais gostei de saber é que os passes podem ser usados em dia não-consecutivos. ;-)

Leave a Reply