beijing

summer palace

Cheguei em Beijing algumas horas antes do Tiago. Combinei com ele que esperaria no aeroporto já que provavelmente seria enorme e teria mais do que o suficiente para eu fazer.

Tinha planejado altos papos com quem quer que estivesse no balcão de informações e até tentar fazer um amigo qualquer numa livraria ou numa lojinha que pudesse me dar umas dicas iniciais.

Nada feito. Ninguém fala inglês na China continental. NINGUÉM.

beishcao

A China é difícil. A China é estranha. É linda, grandiosa, suja e opressora simultaneamente, numa intensidade grosseira.

Beijing é uma mistura de ruelas com boulevards. Nada é perto, nada é fácil e nada é vazio…

alley
Foto sem ninguém, um milagre apenas possível às 6h da manhã

Os chineses são difíceis. Os chineses são estranhos. Nitidamente não gostam de ocidentais e não fazem a menor questão de sequer reconhecer sua presença.

em cima do muro

As referências culturais são tão completamente diferentes que nem a mímica é muito efetiva – sequer nosso amado sinal de joinha significa algo para os chineses. Preço? Boa sorte em achar alguém que saiba, pelo menos, escrever em algarismo romano quanto você deve pagar por uma Coca-Cola. Taxi? Tínhamos sempre as orientações de como chegar no albergue em mandarim.

Deu para perceber o quanto gostei da China, né?

Mas, apesar de todos esses muitos pesares…me diverti horrores na China. 

\o/

Tive sorte de viajar com o Tiago que topou vários perrengues comigo – inclusive ficar quase duas horas vigiando minha bolsa para eu encarar a peregrinação que é visitar o mausoléu do Mao (diga-se de passagem que ele se divertiu muito mais que eu nesse dia).

atração turística

Tivemos também a sorte de conhecer gringos muito, muito legais – de gremistas a moçambicanos na Muralha até casais hilários que contaram suas outras aventuras chinesas (que superam as nossas de longe) e nos levaram aos melhores lugares de Beijing.

Rimos de chorar. Dos meninos olhando para a gente no metrô como se fôssemos de outro mundo. Dos turistas – porque 99% deles são chineses e tiram fotos assim. De nós mesmos e dos nossos sustos cada vez que um chinês escarrava pertinho dos nossos pés.

Morremos de cansaço – de andar, de ficar em pé no metrô, de entrar e sair do metrô, de tentar tirar fotos sem milhões de pessoas nela.

Untitled

E, na verdade, só dei uma passadinha na China. Quero muito, muito voltar: tenho certeza que eu, assim como quase todo o mundo ocidental, não tem ideia do que é a verdadeira China.

É tudo muito diferente – não temos o mesmo ponto de partida para nenhuma referência: nos costumes, nos valores, nos hábitos, na educação.Tão completamente em nada parecido que não me sinto no direito de julgar sequer os escarros.

patterns

Saí da China mais desnorteada do que cheguei. E com a clara certeza que, podemos até viver no mesmo mundo, mas a China, de fato, fica do lado oposto do meu globo.

forbidden

Para quem quiser ir:
- O relato do Tiago, bem mais completo que o meu ;)
- Ficamos no Peking Hostel que super recomendo.
- Se conforme antes de embarcar: a China é feita de multidões. Não adianta tentar fugir, go with the flow e trate o perrengue como uma grande aventura.
- O Peking Duck do Hua Jia Courtyard é imperdível.
- Se prepare para as já famosas limitações cibernéticas devido à censura do governo chinês: das redes sociais, só consegui acessar o instagram e meu gmail oscilava muito. Galera driblava isso nos hostels mexendo nos ips das máquinas, mas estava só com meu ipad e não fez falta a ponto de perder tempo com isso.
Se for chegar num horário ingrato, tenha as instruções de como chegar no seu hotel em mandarim. O bom e velho “na hora tudo dá certo” pode não ser a melhor opção por lá.
- Não deixe de ler um pouco sobre os chineses – da Revolução Cultural, ao protesto na Praça Celestial, até a atual postura condenável em relação aos norte-coreanos – a China é um país polêmico, para dizer o mínimo.

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One Response to “beijing”

  1. nhatinha.com | uma menina baiana» Blog Archive » hong kong Says:

    [...] Kong. Para mim, seria uma parada conveniente, uma possível porta de entrada para a China (e isso foi mesmo, u-hu!) e uma desculpa para ir até Macau. Enquanto Macau deixou mesmo a desejar, surpreendentemente me [...]

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