Com a ida antecipada para Nampula, ficamos com um dia de folga entre as reuniões. Não tivemos dúvida: fomos conhecer a Ilha de Moçambique!

A ilha estava no meu top da wishlist, fiquei muito feliz de ter a oportunidade de dar um pulo por lá, mesmo que breve. Ela fica a duas horas de carro de Nampula, num litoral recheadinho de praias lindas para serem visitadas.
Para chegar, você precisa atravessar uma ponte estreita que tem uns recuos para manobra e possibilitam (mas não facilitam) muito o trânsito ali:

Paga-se 10 meticais (27 centavos de dólar / 47 centavos de real), mas depende também dos guardas da ponte lembrarem disso. E o clima já muda e fica mais leve desde a entrada:

A ilha foi declarada patrimônio da humanidade pela Unesco em 1991, não antes de sofrer as conseqüências do abandono português, da guerra civil e de uma invasão de locais que moram na ilha em palhotas ou casas modestas.
Mesmo assim, o “clima de ilha” permanece – estar numa ilha sempre me deixa mais sossegada, mais tranquila com o mundo…

E existe um esforço montado por um cooperação internacional para restaurar as principais atrações: já começaram a restauração da Fortaleza de São Sebastião e, ano que vem, começarão a reformar o Palácio dos Capitães Generais:


No Palácio, você compra entrada para uma visita guiada tanto do próprio Palácio quanto do Forte e do Museu de Arte Sacra. Para nós brasileiros, esses pontos turísticos são meio repeteco: um Palácio cor de rosa com decoração ostensiva que servia de residência oficial ao governante português (a Ilha foi a primeira capital de Moçambique, é a Salvador moçambicana) e um Forte com paredão de fuzilamento e áreas de crueldade escrava.
Mas os guias são da Ilha mesmo e muito bem informados para coisas além do roteirinho default. Eles sabem as datas de previsão da restauração em cada lugar, por exemplo, e são ótimas fontes vivas sobre a história de Moçambique.
Lembrem que em Moçambique a história colonial acabou há muito pouco e a guerra estendeu-se até 91. Qualquer pessoa que já passou da adolescência tem lembranças vivas de acontecimentos históricos. Alguém apenas 7 anos mais velho que eu, que hoje está chegando aos 40 anos, nasceu numa colônia portuguesa. Não é bizarro?
Almoçamos no Relíquias, um restaurante na beira da praia com uns amigos gatos que nos fizeram companhia – sobretudo depois que pedimos comida demais e repassamos um pouco para debaixo da mesa:

A “torta de caju” – que na verdade é uma torta com castanha de caju – vai ficar para sempre na minha lembrança. Mas dizem que o crème de la crème gastronômico mesmo é no Escondidinho – uma pensão montada por uns franceses que garantem os melhores pratos da Ilha. Não comi, mas paramos lá para um pit stop e o lugar é tão fofo, que indico sem nunca ter ido.
Eu também fiquei apaixonada pelo Terraço das Quitandas:

A Ilha é uma paradinha perfeita na ida ou na volta para as praias e resorts do norte de Moçambique. Voltamos, definitivamente, renovados.
