aprendendo com os turcos
Saturday, November 10th, 2012
Demorou para conseguir verbalizar minha passagem pela Turquia, a segunda parada da viagem. A verdade é que, meses depois, ainda estou digerindo o país.
Na Turquia, respirei fundo e vivi.

Relembro deliciosamente cada dia do meu período turco como se tivessem acontecido semana passada. Tento contar quantos “medos” superei por lá: de sentar sozinha num restaurante a viajar de ônibus sem entender absolutamente nada da língua. E não achei ainda uma forma de agradecer ao universo por me achar tantos anjos da guarda e alívios emocionais.
Aprendi a não esquecer de mim. Aprendi a tomar çai, a amar baklava e que voar de balão não dá medo. Que não preciso de música para passar um dia inteiro comigo mesma; que preciso ser mais seletiva com museus e que flertar pode ser divertido e respeitoso. Que, como eu já suspeitava há tempos, pode-se não ter tempo para nada e, mesmo assim, não sofrer.
E que sua voz mais profunda não é seu coração: é o equilíbrio delicado e quase perfeito entre ele e sua mente.

Istambul é exatamente a mistura que se propõe a ser – uma coisa meio Europa, meio Ásia que, por vezes, me lembrou o Brasil: na eficiência imperfeita de seus processos, na dificuldade desnecessária do seu dia-a-dia, na facilidade de achar gente disposta a te receber bem.

E não importa quantas vezes e qual meio de transporte você use, atravessar o Bósforo não enjoa e não cansa. É o estreito de Bósforo! Milhares de pessoas morreram tentando defendê-lo! Ele caiu no seu vestibular! Bom, pelo menos no meu, na época que existia vestibular….

E o tempo resolveu tudo: hoje paga-se míseros trocados para facilmente navegar por suas águas, atravessar suas pontes, pular de um continente para outro. Ou não se paga nada e caminha-se às suas margens – você de saia e camiseta ao lado de uma mãe de burka, ambas desfrutando a liberdade que merecem e que anda tão desrespeitada por governos, milícias, corporações e fronteiras.
Ir para a Turquia é aprender (ou ser relembrada) que o mundo é grande, mas é um só. E a gente vive nesse mesmo espaço, quer queira, quer não. Por mais espremido que às vezes ele possa parecer, a gente é capaz de, aos trancos e barrancos, viver lado a lado e conviver com as nossas diferenças.
A Capadócia é inexplicavelmente mágica…


…e Pamukkale é tão bonito quanto nas fotos.


Éfesos, creio, foi um consolo por não ir a Grécia, mas foi apenas aquela parada obrigatória de turista (se um dia se depararem com a dúvida de ir ou não a Éfesos, optem por outro lugar).


Mas Istambul….se puderem, morem em Istambul algum dia.

Para quem quiser ir:
- Meus preparativos para a Turquia se resumiram a ler o blog do Arnaldo. Não precisei de muito mais, os posts são ótimos.
- A Lívia postou dicas e detalhes do roteiro dela que foi bem parecido com o meu. Ela também dá umas ótimas sugestões para Istambul.
- O aeroporto de Istambul é uma espécie de Galeão – longe de tudo que interessa (não falei que parece com o Brasil??). Não pesquisei muito, mas agendei um traslado no próprio albergue por 10 euros e achei justo, sobretudo porque meu voo atrasou na escala de Frankfurt (esses alemães não são mais os mesmos!) e o pobre coitado do cara ficou lá me esperando na maior paciência.
- Fiquei hospedada em Sultanahmet, o bairro histórico e super turístico. Walking distance de muitos pontos turísticos, é bem fácil sair de lá também a qualquer hora do dia e da noite, embora de madrugada (acredite, você vai precisar voltar de madrugada uma ou outra vez, ou até muitas) só de taxi mesmo. Se você for adepto da nightlife pesada, nem hesite: fique em Taksim.
- O Cheers Hostel foi um dos meus albergues preferidos da viagem inteira. Senti-me em casa e a galera que trabalha lá é gente boa até dizer chega. Do tipo que vai te acordar para você não perder seu voo. Mas é hospedagem para mochileiro mesmo, sem grandes frescuras.
- Turisticamente falando, Istambul é igual a Paris: a graça é andar. Por quanto tempo você aguentar e aonde você puder, troque qualquer transporte por uma boa caminhada.
- Todo mundo fala muito da dificuldade de se negociar com os turcos, mas foi muito fácil! Brasileiro está treinado para a vida, aproveite seus talentos e exercite seu jeitinho brasileiro que você vai se sentir em casa na Turquia.










