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descobrindo a zambia

Thursday, August 19th, 2010

on the road

Fui à Zâmbia essa semana. Foi uma viagem relâmpago – daquelas que você só percebe que está indo mesmo quando está fazendo o check-in, sabe?

Para chegar à Zâmbia – ou, mais especificamente, a Chingola – é preciso, necessariamente, pernoitar em Joburg (estou começando a ODIAR essa criação humana pós-contemporânea chamada de hub aéreo). Nossa, a gente não tinha conseguido avisar que estávamos a caminho, não tinha motorista programado para nos buscar no aeroporto, nem mesmo certeza se eu ía conseguir entrar no país sem o cartão da vacina amarela (que perdi faz 3 meses já)…quem disse que eu consegui dormir? Mesmo estando num hotel ótimo, jantando super bem e cheia de vinho, fritei a noite toda só para acordar um zumbi às 5h30.

Depois de um vôo tranquilo, uma chegada mais tranquila ainda: um aeroporto micro, com uma imigração eficiente (aka filas rápidas) e uma carimbada no passaporte sem mal olharem para a sua cara (não sem antes cobrarem 50 dólares pelo visto, né).

Primeiras impressões do interior da Zâmbia? Uma espécie de Moçambique mais limpa e organizada. Mas não tanto quanto a frase dá a entender: cidades pequenas, com poucas ruas asfaltadas, muito branco em 4×4 e muitos negros andando na beira da estrada.

Não tinha lido quase nada sobre a Zâmbia – um dos motivos pela minha perda de sono (sei lá eu se era um país seguro, se mulher consegue se virar sozinha e por aí vai). Turns out, é igualmente parecido com Moçambique nesse aspecto: bem mais tranquilo que alguns de seus vizinhos mais sinistros (Congo, Zimbabue, Angola e Malawi) e bem mais pobre que o primo rico da África Austral.

Aqui no Copperbelt, a lingual local é o bemba, mas descobri que os dialetos dessa parte do miolo da África são parecidos: qualquer zambiano consegue se entender pelos dialetos, mesmo que tenha que rolar um certo esforcinho – pelo o que um deles me falou, é o mesmo nível de dificuldade de comunicação que eu tive na Itália (pedi instruções umas duas vezes e consegui me entender com as pessoas). Além disso, ele falou que consegue se fazer entender no sul do Malawi e no norte do Zimbabue sem ter que recorrer ao ingles nenhuma vez.

Isso fez mais sentido ainda quando passamos por um grupo de crianças e elas vieram correndo dar tchau para a gente gritando “muzungu, muzungu”! Eu logo zoei os zambianos no carro dizendo que aquilo não era bemba nada, era nyungwe! “Muzungu” (branco) é uma palavra que já escutei muito em Tete – às vezes acompanhado de risada, às vezes acompanhado de choro (bebês especialmente costumam ter medo de brancos no interior).

Não tive tempo para aventuras turísticas, mas a Zâmbia é uma das fronteiras de Victoria Falls, que são tipo as Niagara Falls africanas e morro de vontade de ir. Já me avisaram que é lindo e tem rafting mas, ao ouvir que a correnteza te puxa para baixo e você fica quase 2 minutos sem conseguir sair dela se o barco virar, algo que eu nem estava muito considerando já entrou para a lista de “no way, thanks!”.

Também tive pouquíssimo tempo para algo além de primeiras impressões. A única outra coisa marcante do que os residentes de Chingola me falaram, sobretudo os estrangeiros, me fez achar que a Zâmbia é tipo uma Minas Gerais do sul da África: todo mundo sente falta do mar!

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